Escorpião, a fatalidade de Plutão


Um planeta miúdo de nome Plutão, composto de nitrogênio e metano, existia logo atrás de um enorme planeta que o escondia, chamado Netuno.
Plutão era discriminado por algumas estrelas e por outros planetas que ali perto, no Sistema Solar, existiam. Era chamado de planeta anão, por ser menor do que os outros. Mas Plutão provava ser um planeta, sim! Pois uma força da existência dele surgiu. O nome dessa força é Escorpião.
Sempre com um sádico sorriso no rosto, mostrando dentes afiadíssimos que reluziam na sua concreta pele de silício, Escorpião patrulhava perto do seu patamar estelar e não costumava sair muito dali, pois as outras forças, em especial as que eram regidas por constelações, o tiravam do sério.
Um meteoro longínquo parecia tomar direção do pequeno planeta ao qual Escorpião era regido. O sádico da pele cor de chumbo tomou rumo daquele meteoro, para pôr um fim nele. Quando chegou até lá, tirou o seu chicote para esfarelar aquela rocha que poderia destruir Plutão em um só impacto, mas algo inesperado aconteceu.
Um porrete desintegrou o meteoro no mesmo momento que o tocou. O desaparecimento da enorme rocha revelou, em evidência, aquele que era considerado a força mais forte do Sistema Solar, com o seu escudo na outra mão e um cinturão dourado na cintura. Órion chamou aqueles que estavam atrás dele:
- Ofiúco, Draco e Monoceros. Venham ver isso!
Escorpião arregalou os olhos, assustado, mas quando tomou rumo para refugiar-se em seu pequeno planeta, aquela forçade nome Monoceros (que além de patas cascudas, uma cauda engraçada e um único chifre em espiral no centro da cabeça, também possuía um cheiro de esterco muito forte) correu até ele e o imobilizou.
- Fique aí pequenino. — disse Monoceros com o seu hálito horrível.
- Então fica quieto que esse teu bafo vai acabar me matando. — provocou Escorpião, cuspindo na cara daquele. — Me deixem em paz, seus prevalecidos! Quero ver só um de vocês me encarar!
- Cala a boca, seu miúdo! — veio Órion em uma violenta investida, acertando uma cabeçada na barriga de um totalmente imobilizado Escorpião.
- Seus covardes!
Um verde ser, com escamas espinçadas, asas encouraçadas e um característico bigode fino foi se aproximando deles.
- Veio se divertir um pouco também, Draco? — perguntou Monoceros, que segurava Escorpião enquanto Órion o preenchia de porretadas gratuitas.
- Mas é claro! — discorreu Draco rapidamente, pegando uma das mãos do imobilizado raivoso, abrindo sua grande boca e dela orando uma abrasiva quantidade de chamas.
- Parem com isso! — gritava Escorpião, já com a mão queimada — Venham me encarar, um por um, seus covardes!
- Que bonitinho. — falou Ofiúco, ser também escamoso e com uma grande cobra enrolada sobre o corpo, apertando a bochecha de Escorpião.
- Olha só que engraçadinho! — disse Monoceros, acariciando a barriga daquele quem ele imobilizava — Só ele é preciso para esse planetinha miúdo.
- O trabalho mais fácil que existe! — afirmou Draco, convicto.
- Calem a boca…- embraveceu Escorpião, cerrando os dentes. — Me soltem.
- Solta ele, Mono. Pode soltar. — disse Órion, fazendo sinal com a mão para Monoceros parar.
O fedorento soltou Escorpião, mas logo em seguida Órion botou o mindinho sobre o peito de silício do recém solto.
Escorpião voltou a ficar paralisado com aquilo.
- Olhem, eu seguro o coitado com um dedinho só! — aos risos falou Órion.
As gargalhadas começaram e, seguindo elas, golpes baixos vieram de todos os lados. Era uma covardia sem igual. Quatro forças constelares maltratando apenas uma força planetária.
Escorpião não dizia mais um “ai”, apenas sofria em silêncio, já que ele a nada podia fazer perante aquilo. Ao olhar um pouco mais para trás dos quatro inquisidores o chumbado dos dentes afiados percebeu que alguém ali chegava com o intuito de tentar acabar com o seu sofrimento.
Era um ser com duas faces, uma branca e uma preta, mas ele também aparentava fragilidade. Era, com certeza, uma força planetária. Escorpião apenas olhou para ele e acenou negativamente com a cabeça, afirmando que aquele ato não era necessário. O ser com duas faces assentiu e foi embora dali.
Pontapés, socos, chutes e queimaduras são aplicadas aquela pobre força que a nada tinha feito para receber tamanho mal tratamento. Depois de uma rasteira vinda de Ofiúco, Escorpião cai perante as estrelas já sem forças para conseguir se levantar.
Draco fulgurou o porrete de Órion, tornando esta arma em uma arma flamejante. Órion, de uma maneira desnecessária, levantou o porrete em chamas e desceu-o com uma força descomunal em direção da cabeça de Escorpião. A força planetária desmaia com o rosto lavado de sangue.
- Vish, será que tu mataste o coitado? — perguntou um agora preocupado Monoceros.
- Ah, tanto faz… — respondeu Órion. — Vamos deixar esse inútil aqui e vamos atrás de algum desafio de verdade.
- É verdade! — se meteu Draco, jorrando fogo sobre as palavras. — Um planeta anão não precisa de uma força para protegê-lo.
As quatro forças constelares gargalham sem parar, depois de alguns segundos acabam saindo dali. Deixando o corpo da força planetária sobre a vastidão cosmológica.
Escorpião abre os olhos e se encontra no meio de um eterno campo estelar. Ele não sabe onde está e sua cabeça dói muito. Com uma mão queimada e com sangue saindo de tudo quanto é parte do corpo, a força planetária toma rumo de um grande globo flamejante que pode ser avistado longe dali, o qual é o líder daquele Sistema.
Depois de muito tempo, mesmo, para chegar até o Sol, Escorpião, cabisbaixo, toma rumo até o seu planeta regente, Plutão.
Escorpião passa despercebido por todas as outras forças, pois é vertiginoso demais. Aprendeu a misturar-se com a escuridão para aqueles que fazem aquilo que o fizeram nunca assim o façam. Ele foi muito otimista achando que passaria despercebido naquele momento em que tentou destruir o meteoro.
A força planetária vai passando pelos planetas de seu Sistema e, a cada passo que dá, remói ainda mais o ódio que sente por Órion. Ele um dia iria se vingar. Provar que é o melhor.
Quando Escorpião finalmente chega até o seu regente, Plutão fala:
- Onde você estava?! Eu fiquei muito preocupado, sabia?
Escorpião olha com os seus olhos negros para seu núcleo regente com uma expressão intimidadora e fala:
- Ele irá me pagar. Eu terei minha vingança.
Logo após Escorpião dizer essas palavras uma ponderosa voz, com magnitude suficiente para embalar a todo aquele Sistema, exclamou para todos ouvirem:
– As Trevas emergiram, eu preciso das forças! Regentes, dar-me-ão tuas forças!
- O Sol precisa de ti, meu fiel Escorpião. — disse Plutão em tom de orgulho.
- Minha vingança está mais próxima do que eu esperava. — discorreu Escorpião com um sádico sorriso afiado estampado na face. — Todos eles irão me pagar. Eu provarei que sou o melhor de todos.