Cabeça cheia
Informações

Bolso vazio
Desilusões

Boca cheia
Humilhações

Peito vazio
Decepções



Brasileiro só paga conta.
Água, luz, internet e tevê. 
Isso tudo é cruel.

Até depois da morte ela apronta.
Será que precisa pagar
 para ficar no céu?



O Sol brilhava como de costume e o planeta Mercúrio, mais do que qualquer outra coisa, era o que podia ver de mais perto os espetáculos do líder do Sistema em que se encontravam, o Sistema Solar. Mas esse camarote donde se encontra Mercúrio tinha um preço muito alto a se pagar, o planeta precisa, constantemente, de pequenas reservas de água para que os raios solares a evaporem, causando, com isso, a satisfação que o planeta precisa para manter um certo equilíbrio, e a fonte de água do planeta mais próximo do Sol estava acabando.
— Gêmeos! — gritou Mercúrio — Preciso de você aqui!
Quase no mesmo instante uma figura um tanto misteriosa tornou-se presente a frente do planeta. Dualidade o definia. Uma de suas cores era negra e outra era branca.
— Que bom que você chegou, Gêmeos. Preciso que você me consiga H2O, para que eu possa evaporar e não perder meu equilíbrio.
— Mas o que você quer que eu faça exatamente, Mercúrio? — pediu a figura misteriosa chamada Gêmeos.
— Você é o diplomata daqui, trate de achar com alguma outra força ou com algum outro planeta uma pequena reserva de água. Virgem saiu em uma missão, então só posso recorrer a ti, meu diplomata!
— Ah, sim! Virgem é a outra força que você rege… Ainda não tive o privilégio de conhecê-la. — de forma nobre disse Gêmeos — Então eu irei negociar esse recurso natural com algum outro planeta. Tem ideia de um planeta que possua tal recurso?
Mercúrio pensou por um instante. Mas logo se adiantou:
— Sim, eu ouvi boatos de um gigante gelado chamado Urano. Parece que é um grande planeta que possui água para dar e vender! Mas ele fica um tanto longe daqui. Logo atrás dos famosos gigantes gasosos.
— Tudo bem, meu regente! — interrompeu Gêmeos — Eu conheço o caminho até Júpiter e Saturno. É um pouco longe, mas eu prometo lhe trazer água em pouco tempo.
— É por isso que concedi essa honra a ti, Gêmeos. Sei que conseguirá! — exaltou o planeta mais próximo do Sol.
— Então estou indo, meu regente! Volto daqui um tempo, com a sua água, eu prometo! — disse Gêmeos em um aceno, já tomando direção de Vênus, o planeta vizinho.
Dentre o vasto e iluminado cosmos, já fora de órbita de seu querido regente, Mercúrio, Gêmeos estava se escondendo, tanto nas luzes quanto nas sombras em direção de seu destino. Para que ninguém notasse que Mercúrio estava com problemas. Passando o planeta Vênus o diplomata não pode deixar de notar uma grande força que o protegia. Pelo que ele ouviu falar seu nome é Touro e ele é quase tão forte quanto uma força constelar, mas Gêmeos passou despercebido pelo chifrudo gigante que guardava seu regente.
Ali perto existia um satélite que surgiu de uma colisão entre dois núcleos. O nome desse satélite é Lua e Gêmeos já conhecia a força que é regida por ela. O nome dessa força é Câncer, mas ele não estava aos arredores de sua regente e, também mãe, Lua.
Ao fundo Gêmeos conseguia avistar o planeta Marte e, quase a sua frente, um parrudo ser, também de chifres, esmagando alguns meteoros que estavam prestes a colidir contra Marte. Pelo que supos o diplomata era a força que era regida por Marte, mas ele não sabia o nome daquele, aparente, poderoso ser. Apenas pode notar um par de chifres espirais e grande quantidade de músculos. O diplomata de mercúrio também passou despercebido por aquela força.
Depois que passou de Marte, Gêmeos não pôde deixar de sentir medo ao ver o maior planeta daquele Sistema, o nome desse gigantesco núcleo é Júpiter e a força que o protege é de grande simpatia. Ele estava ali perto e o diplomata, resolveu apresentar-se para ele.
Saindo das sombras Gêmeos disse:
— Olá, força de Júpiter.
Ao dizer isso a força de Júpiter apontou o arco que tinha nas suas mãos e apontou a única flecha de sua aljava em direção de Gêmeos, que abruptamente se explicou:
— Eu vim em paz, eu vim em paz! Relaxa! Eu venho lá de Mercúrio.
— E por que devo acreditar em você? — perguntou o guardião de Júpiter.
— Por quê? Bem… Eu não fiz nada até agora, não é mesmo? Surgi do meio das sombras, eu estava do seu lado e você não tinha me notado. Poderia ter lhe dado um golpe surpresa e voltar para as sombras novamente, força de Júpiter.
— É, você tem razão. — disse o arqueiro, abaixando seu arco e logo estendendo a mão — Eu me chamo Sagitário, o que você deseja?
— Apenas vim parabenizá-lo pelo seu ótimo trabalho, nobre guerreiro. — diplomaticamente disse Gêmeos — Sabe, eu venho lá de Mercúrio e as notícias sobre os seus feitos ecoam até nós.
— Obrigado! — agradeceu Sagitário, aos sorrisos — Eu costumo fazer o meu melhor.
— Tudo bem, Sagitário. É aqui que me despeço, tenho um serviço urgente para fazer em Urano. Sabe me indicar onde fica esse planeta?
— É claro, nobre diplomata. Qual o seu nome, a propósito. — indagou o arqueiro.
— Gêmeos, é o meu nome.
— Ok, Gêmeos. O próximo planeta aqui do Sistema é Saturno. Passando Saturno você vai encontrar Urano. É um grande planeta azul. Você sentirá um frio vindo de lá, pois aquele planeta é gelado demais.
— Obrigado pelas informações, Sagitário! Qualquer coisa vai lá em Mercúrio para conversarmos um pouco mais.
— Me lembrarei disso, duas caras.
— Haha! Que apelido cafona é esse? Fique bem, estou indo. — falou Gêmeos, já adentrando as sombras e as luzes. Viajando de pouco em pouco até seu destino.
— Me lembrarei de você, Gêmeos, seja lá qual for a próxima vez que venhamos a nos encontrar. — disse Sagitário para si mesmo.
O diplomata chegou até Saturno e não conseguiu não olhar para aquele complexo sistema de anéis que o rondeava. Quando de repente um raio pareceu passar por ele.
Alguém corria de anel em anel para mantê-los em movimento. Aquela deveria ser a força que protegia Saturno, mas Gêmeos não conseguiu o identificar, pois aquele andava rápido demais. O diplomata seguiu o seu caminho e, depois de pouco tempo, começou a sentir um frio. De acordo com Sagitário ele estava perto de Urano.
Um enorme planeta azul começou a dar as caras e Gêmeos não teve dúvidas, estava no lugar certo.
O diplomata foi reto em direção do planeta, mas logo notou que havia uma força, muito bonita por sinal, protegendo Urano. Então Gêmeos resolveu, de longe, revelar-se. Foi se aproximando daquela bela força já aos berros:
— Olá, amigo! Eu venho em missão de paz! Sou o diplomata regido pelo planeta Mercúrio! Você o conhece?
A força de longos cabelos azuis esperou Gêmeos chegar mais perto e falou em tom calmo:
— Claro que conheço. É o planeta mais próximo do Sol, não sei como você não está morrendo de frio aqui.
— Acredite, está sendo difícil para mim, me controlar. O frio está tão intenso que estou aguentando o máximo para não bater o queixo.
As duas forças gargalharam, então Gêmeos falou:
— A propósito, meu nome é Gêmeos.
— Aquário. — falou já estendendo a mão, Gêmeos não exitou em lhe ceder um aperto de mãos. — Você está com frio mesmo, hein? Que mão gelada!
— Eu falei que não estava mentindo.
— Bom, o que lhe traz a essas bandas? — indagou Aquário com um tom de curiosidade acima do normal.
— Meu planeta regente está precisando de água, e o que as notícias andam falando é que Urano tem água para dar e vender. — respondeu Gêmeos, meio sem jeito. Coçando atrás de seu ondulado cabelo preto e branco.
— Ah, então você veio ao lugar certo e está falando com a pessoa certa. Olhe! — disse Aquário mostrando um ornamentado balde que segurava em suas mãos. Gêmeos sentiu-se idiota em não notar algo tão grande. — Nesse balde tenho água infinita! Eu posso manipulá-la com o vento que sou capaz de conjurar. Podemos ir até o seu planeta, Mercúrio, em um piscar de olhos por cima dessa água.
— Muito obrigado! Você é tão voluntarioso! Salvará nosso planeta sem pedir nada em troca?
— Eu já tive algo em troca dessa oferta. — falou o senhor do balde.
— E o que foi?
— O seu obrigado!
Gêmeos sorriu e pensou quanta sorte teve. Além do mais se lembraria desse sujeito, Aquário, caso ele precisasse de algo de Mercúrio.
Aquário baixou o seu balde e água saiu dele, mas a água flutuava entre o cosmos e logo as duas forças subiram em cima das águas e Aquário, em um bater de mãos manipulava a água com um forte vento que tirava de suas palmas.
E, com isso, realmente, Gêmeos e Aquário chegaram até Mercúrio muito mais rápido. Chegando lá Aquário cedeu o seu balde para Gêmeos, que tocou a água em direção de Mercúrio. Depois de um tempo repondo a água o planeta agradeceu a Aquário que, com um simples aperto de mãos, se despediu de Gêmeos. Voltando rapidamente, graças as suas águas manipuladas, até o seu planeta regente, Urano.
— Bom trabalho, Gêmeos! Foi muito mais rápido do que eu esperava. Agora poderei ficar evaporando minha água por eras!
— Apenas cumpri com a minha obrigação, meu regente!
Gêmeos ficou um tempo sem muito o que fazer, então ele viajava de pouquinho em pouquinho para tentar fazer novas alianças e amizades. Mas um som ensurdecedor acabou sendo ouvido por todo o Sistema Solar:
— As Trevas emergiram, eu preciso das forças! Regentes, dar-me-ão tuas forças! —a voz que acaba de pronunciar essas palavras era muito conhecida por todos. Era a voz do Sol.
Gêmeos notou que o problema vinha de um negrume sem fim que estava sendo formado muito próximo da Lua.
O seu regente, Mercúrio não exitou em mandá-lo até o encontro do Sol e não deixou de alertar a seu diplomata:
— Gêmeos, o que está por vir talvez seja a coisa mais difícil que você enfrentará em sua vida. Esteja avisado. Agora vá!
Gêmeos assentiu e tomou caminho do Sol.



Dia 1:

Já eram quase nove da noite na delegacia da policia civil, quando o comissário Gomez escancarou o pé na porta e assustou o investigador Paulo, qual estava entediado na sua sala jogando paciência na frente do computador:
- O caso é nosso, Paulo! O caso é nosso!
O investigador Paulo estava sentindo o coração quase pular da garganta com o susto que levou, mas tentou manter a calma falando com uma trêmula voz:
- Que caso, Gomez?
- O caso dos suicídios... os federais largaram ele e deixaram pra gente.
- Aqueles suicídios coletivos? Nossa, vamos ter muito trabalho pela frente.
O tom da voz de Paulo era de tédio, mas o comissário apertou os olhos para o investigador e falou com a voz convicta:
- Só nós dois vamos trabalhar no caso, como nos velhos tempos.
O investigador Paulo sorriu ao lembrar-se da época em que Gomez era seu colega de investigação. Desde que foi promovido a comissário, Gomez não tinha mais tempo para um caso, ele só tinha tempo para encabeçar vários.
- E os outros setores? Como ficarão sem você? – indagou o investigador, ainda com a voz trêmula.
- Deixei a investigadora Melo e a escrivã Dias encarregadas, elas saberão o que fazer. Esse caso será só de nós dois, parça.
Paulo levantou-se rapidamente de sua cadeira, que fez um engraçado barulho de peido e cumprimentou de forma épica o comissário Gomez. Os dois se olharam durante alguns segundos, o olhar era desafiador.
- Você será o perito investigador e eu reunirei as informações que você trouxer a mim. Você será o corpo e eu o cérebro, estamos entendidos, Paulo?
Os dois ainda estavam com as mãos dadas, o investigador sorriu e falou:
- Como nos velhos tempos. – o cumprimento logo virou um abraço. – Vou dar o melhor de mim, já fazia tempo que eu queria sair desse muquifo. Sinto como se tivesse sentado a bunda nessa cadeira por anos.
O celular do comissário tocou e ele em seguida atendeu.
- Alô?... Sim, é o comissário Gomez aqui... sim... uhum... sim... hmmmm... ok! Estou enviando minha equipe. – o comissário desligou a chamada, olhou para Paulo e retomou – Já tenho trabalho para você. Vá na quinta avenida, na esquina do posto. Um prédio azul, apartamento 408. Enforcado com um cinto.
- Meu Deus, já é o segundo essa semana... E olha que a semana começou ontem! Tudo bem, Gomez, já estou a caminho.
O comissário assentiu e foi até a sala dele. Enquanto isso o investigador botou a pistola calibre 38 que estava na sua gaveta em seu coldre axilar, encobriu o corpo por um negro sobretudo e tomou rumo de seu novo caso.
Quando saiu para a rua o investigador de pronto acendeu um cigarro e ao tragar a nicotina pensou consigo mesmo: “como eu precisava disso... não sei como sobrevivo trancafiado 8 horas numa sala sem fumar... maldita lei antifumo.”.
Paulo gostava de fazer o trajeto caminhando, pois trabalhava numa cidade pequena e um carro seria desperdício de gasolina e de tempo. Além disso, a brisa do vento litorâneo o fazia pensar melhor.
Dez minutos e três cigarros fumados depois ele chegou ao seu destino. Apresentou o distintivo para o porteiro e subiu até o apartamento 408. Chegando lá viu que seus colegas tinham se dado o trabalho de interditar a área. “Muito bom” ele pensou.
Seus colegas também já haviam partido. Afinal, o caso era só dele e do comissário. Estava então sozinho no apartamento, ao menos era a única pessoa viva lá. A sombra do defunto se apresentava no corredor, o corpo estava no banheiro.
O banheiro estava bem limpo, analisou Paulo. A única sujeira estava no chão um pouco antes da banheira e vinha do sangue que escorria da boca do defunto que estava com o pescoço pendurado por um cinto no box. O investigador analisou o corpo e não achou nada de anormal, aquilo era um suicídio, sem sombra de dúvidas.  Ao analisar os pés do moribundo (só por via das dúvidas) Paulo não pôde deixar de notar um pequeno pedaço de papel, um pouco molhado, dentro do box, quase no ralo da banheira.
Paulo retirou duas pinças do bolso dianteiro de seu sobretudo e pegou o papel com elas. Abriu o pequeno papel e uma letra legível, escrita com uma caneta azul dizia ao leitor: “Eu achei o sentido da vida.”.
- Intrigante... – sussurrou para si mesmo, botando o papel num saquinho de evidências.
O investigador fez uma inspeção geral no apartamento e não encontrou nada de relevante nele. Voltou à delegacia com apenas um papel como evidência e com menos seis cigarros na carteira.
- Era só isso que tinha lá? – indagou Gomez, analisando o pedaço de papel com uma lupa, enquanto o manuseava com as mãos, protegidas por um par de luvas.
- Sim.
- O corpo apresentava sinais de lesão, além da cinta que apertava o pescoço?
- Não, Gomez. Foi suicídio, pode ter certeza.
- Eu não quero perder pros federais... Tem que ter algo a mais nisso! – o comissário olhou para Paulo, depois de alguns segundos voltou sua atenção ao pedacinho de papel – É muita gente se suicidando em muito pouco tempo. Alguém está envolvido nisso e eu quero saber quem! Esse bilhete tem a ver com ele, pode ter certeza, Paulo!
- Também achei isso, comissário, mas não havia sinal nenhum de lesão no corpo. De qualquer jeito amanhã teremos resposta do IML, a perícia deles é minuciosa.
- Assim espero, meu caro Paulo... assim espero. – Gomez sussurrou mais para si mesmo do que para o colega, largou a lupa, tirou as luvas e acenou para Paulo. Aquele dia de trabalho havia acabado. 

Dia 26:

Já eram 06:30 da manhã daquele dia? O despertador acabara de tocar e o investigador Paulo não lembrava mais da última boa noite de sono que tivera desde que ele e seu companheiro comissário Gomez pegaram o caso dos suicídios. A partir do caso as suas noites de sono só estavam piorando. Não se sentia bem há dias.
Tentou lembrar da sua última boa noite de sono, mas ele só acabava pensando nas noites que tinha passado com ela... Adriana. Lembrou do quanto suas noites eram tranquilas ao seu lado. Sentia saudades daquele tempo.
Paulo levantou da cama com a cabeça pesando de sono, pesava muito mais do que quando ele tinha ressaca. Vestiu sua roupa, a mesma que usara ontem durante a investigação, ainda fedia a cigarro. Foi no banheiro e só jogou água no rosto, para ver se a dor de cabeça passava. Não passou.
Foi batendo pernas até o seu trabalho e no caminho fumou três cigarros. Ao entrar na sala de Gomez, seu chefe falou sem nem ao menos olhar para a sua cara:
- Você precisa maneirar no cigarro, Paulo. Isso vai acabar te matando.
- Minha cabeça tá me matando, cara.
- Quer tirar o dia de folga?
- Você está louco? Mais duas pessoas, no mínimo, devem ter se matado aqui na região.
Gomez olhou para o amigo com pesar, ele sabia que era verdade. Não houve tempo mais sombrio do que esse durante a sua vida. As pessoas estavam se matando sem motivo aparente há quase um mês. Todos os dias! E o que era mais engraçado, todas elas deixavam algum tipo de aviso em comum: “O sentido da vida”.
- Achou algo do “sentido da vida” ontem? – indagou Gomez, coçando sua barba ralada.
- Ah, sim. – Paulo respondeu já tirando dois bilhetes do bolso. – Os dois casos de ontem tinham bilhetes que falavam sobre isso.
- Deixe-me analisá-los.
O investigador entregou os bilhetes para o Comissário e saiu de lá para fumar, mas antes disse:
- Sabe, Gomez... eu andei me lembrando da Adriana e...
- Poxa, é sério isso, Paulo? Aquela vadia só acabou contigo, cara!
- É... é isso mesmo...
Então Paulo saiu da sala do comissário de uma vez por todas, ainda pensando na Adriana e com o cigarro entre os dedos.
- Paulo, vem aqui! – o investigador ouviu Gomez de sua sala. Apagou o cigarro e foi até lá.
- Achou alguma coisa, parça?
-Ah, não. Os bilhetes não falam nada com toda essa poesia, mas acabou de acontecer de novo. Vá em direção do centro, eu te passo o endereço certinho via Whatsapp.
- Tudo bem, comissário.
Paulo foi a passos largos em direção ao centro e em menos de um minuto sentiu o celular vibrar, Gomez já havia lhe mandado o endereço. Ele foi até o endereço solicitado.
Chegando lá, em uma casa com o pátio grande e com diversas viaturas a frente ele não hesitou em entrar. Mostrou o distintivo para os colegas e não precisou analisar em nada para saber que o suicida havia usado a espingarda que estava caída ao lado do corpo com a cabeça explodida. Paulo olhou pela casa em busca de um bilhete, revirou as gavetas, procurou nos lugares mais inusitados, mas não o achou.
- Com licença - falou à legista que estava examinando o corpo e começou a revirar os bolsos ensanguentados do moribundo.
- Mas o que é isso? – indagou à legista.
Paulo deu um sorrisinho e mostrou o bilhete que estava no bolso traseiro do corpo morto.
- É só isso que eu quero. Podem continuar a perícia.
O investigador saiu de lá esperançoso. Aquele bilhete era diferente dos outros, ele abriu mais uma vez para lê-lo.
“O sentido da vida pode ser vivido por todos nós.
S. A.”
- Esse deve ser o nome da seita desses cretinos. – disse Paulo, já na sala de Gomez, enquanto o comissário lia o bilhete.
- Nah, S. A. são as iniciais do morto: Samuel Altemir.
- Ah, que merda! Nunca vamos saber o que está acontecendo! – lamentou Paulo, chutando uma cadeira.
- Se acalme, deve ser uma moda nova. Esses jovens sempre inventam alguma coisa.
- Pode ser isso, Gomez. Mas eu também não estou muito bem, sabe?
- Cara, que frescura.
- É sério, Gomez. Eu não estou muito bem.
- É por causa da Adriana? Tá saindo de novo com aquela vadia?
- Não, cara. Vai ver é só frescura mesmo.
- É... isso é besteira. Te vejo amanhã no trabalho, Paulo.
- Sim, eu vou ficar aqui trabalhando mais um pouco, Gomez.
- Tudo bem, estou gostando de ver, investigador! Haha! Até amanhã!
Paulo sorriu e tirou a pilha de papéis que havia do caso e botou sobre a mesa de Gomez. Tentou entender o que era tudo aquilo. Ficou horas a fio investigando o caso.

Eram quatro horas da manhã quando o Comissário Gomez sentiu o celular vibrar do lado da cabeceira da sua cama, enquanto dormia. Acordou no supetão com aquilo e viu a tela do aparelho acesa.
“Quem quer falar comigo a essa hora da madrugada?” pensou ele.
Pegou o celular e viu uma mensagem de texto vinda de Paulo.
Gomez pareceu acordar com aquela mensagem e botou a sua roupa o mais rápido possível. Foi ao banheiro e fez tudo que devia fazer com muita pressa. Calçou os sapatos e foi correndo em direção ao trabalho. Em menos de dez minutos chegou lá, mais ofegante do que nunca. Destrancou a porta da delegacia com as mãos trêmulas e abriu a porta de sua sala no supetão, mas ficou em choque com o que viu.

O corpo de Paulo estava no chão, banhado de sangue. Ele havia se dado um tiro na cabeça, a arma estava na sua mão direita e o sangue saía do buraco que perfurava o seu crânio.
Na mão esquerda estava o celular com a tela ainda acessa mostrando a mensagem que ele havia mandado cerca de dez minutos antes:
“Encontrei o sentido da vida!”


No centro de um Sistema, de uma galáxia chamada Via Láctea, fica o líder Sol. Dono de muitos núcleos, os quais ele batizou de planetas.
Mas no centro do Sol, dentro dele, há uma poderosa força em ascensão. O filho do próprio Sol jaz em uma meditação profunda dentro de seu pai.
Com uma característica juba que esvoaça em meio a raios ultravioletas e músculos cabeludos que refletem um brilho incandescente o filho do Sol fica sentado, de olhos fechados, apenas acumulando a sua força, que vem toda da iluminação de seu pai.
O Sol batiza o seu filho, Leão é o nome da cabeluda criatura. Num sussurro de seu pai falando o seu nome os seus ouvidos aguçaram e absorveram aquela informação e, a partir disso, o Sol começou a falar, internamente, com o seu filho:
- Enquanto tu cresces, meu filho, eu te darei os mais preciosos conselhos sobre liderança. Tu serás o líder de um poderoso grupo, o qual delegarei uma importante missão, em um futuro não tão próximo.
- E o que devo fazer, meu pai? — perguntou Leão, através de telepatia.
- Um líder não pode dispor de palavras vazias. Precisa juntá-las aos atos, ao coloca-las em prática. — respondeu o grande globo flamejante.- Além do mais, tu precisas conhecer o conceito mais importante de todos, meu filho. O conceito de vencer sem lutar.
- Vencer sem lutar? Isso me parece impossível!
O Sol gargalhou um pouquinho, mas logo retomou:
- Lembra-te sempre disso, meu filho: se conheces os outros e conhece a ti mesmo, nem em cem lutas correrás perigo, se não conheces os outros, mas conhece a ti mesmo, perderás uma luta e ganharás outra; se não conhece os outros, nem a ti mesmo, correrás perigo em cada luta.
- Eu conseguirei fazer isso, eu sou o melhor!
- Não, Leão! Sendo meu filho, creio que te acharás muito superior aos outros, mas isso não é verdade. Tu tens de conhecer o outro tão bem quanto te conheces, pois só assim não correrás riscos em batalhas vindouras.
- Tudo bem, foi um erro grotesco, pai. Mas às vezes eu não consigo conter isso. Parece que está sempre comigo esse orgulho de ser eu.
- Se tua personalidade é assim, então, perfeito! Mas não deixe o otimismo morrer pelo egoísmo. — voltou a alertar o Sol.
- Farei o possível para alcançar a excelência da liderança, meu pai.
- Lembra-te sempre de ouvir os outros, meu filho. — continuou o grande globo dourado. — Saber ouvir é a base de um relacionamento saudável para com os seus colegas. Preze sempre pelo trabalho em equipe, pois é muito mais fácil resolver um problema coletivamente do que sozinho.
- Tudo bem, saber ouvir e saber trabalhar em equipe. — disse Leão, mais para si mesmo do que para o Sol.
- Somente lute após fazer uma estimação do terreno e das situações encontradas. Aquele que conhece primeiro a medida do que está distante e o que está perto sempre ganha. Está é a regra geral da guerra.
Algo terrível acaba de acontecer, entre Vênus e Marte um novo aparente planeta parece surgir em meio de uma escuridão absurda. O Sol tenta radiar como nunca radiara antes, Leão sente os raios de seu pai fulgurando muito mais intensamente do que nunca, mas não surte efeito diante tamanha escuridão.
O Sol fala para Leão rapidamente:
- Tu terás que liderar um time que recrutarei agora. Creio que para um pequeno planeta tu já estejas preparado para enfrentar.
- Eu dou conta disso, pai!
Depois de um tempo de silêncio o Sol exclama um som ensurdecedor que reverbera pelo cosmos:
- As Trevas emergiram, eu preciso das forças! Regentes, dar-me-ão tuas forças!
Leão sabe que sua missão começará em instantes.


Queria eu ser espontâneo,
Ser um tanto momentâneo,
Fazer sucesso instantâneo
E de feliz, ser simultâneo

Às vezes sou assim tão egoísta
Não virarei frustrado artista
Que já foi tão idealista
E hoje é só um pessimista


Um planeta miúdo de nome Plutão, composto de nitrogênio e metano, existia logo atrás de um enorme planeta que o escondia, chamado Netuno.
Plutão era discriminado por algumas estrelas e por outros planetas que ali perto, no Sistema Solar, existiam. Era chamado de planeta anão, por ser menor do que os outros. Mas Plutão provava ser um planeta, sim! Pois uma força da existência dele surgiu. O nome dessa força é Escorpião.
Sempre com um sádico sorriso no rosto, mostrando dentes afiadíssimos que reluziam na sua concreta pele de silício, Escorpião patrulhava perto do seu patamar estelar e não costumava sair muito dali, pois as outras forças, em especial as que eram regidas por constelações, o tiravam do sério.
Um meteoro longínquo parecia tomar direção do pequeno planeta ao qual Escorpião era regido. O sádico da pele cor de chumbo tomou rumo daquele meteoro, para pôr um fim nele. Quando chegou até lá, tirou o seu chicote para esfarelar aquela rocha que poderia destruir Plutão em um só impacto, mas algo inesperado aconteceu.
Um porrete desintegrou o meteoro no mesmo momento que o tocou. O desaparecimento da enorme rocha revelou, em evidência, aquele que era considerado a força mais forte do Sistema Solar, com o seu escudo na outra mão e um cinturão dourado na cintura. Órion chamou aqueles que estavam atrás dele:
- Ofiúco, Draco e Monoceros. Venham ver isso!
Escorpião arregalou os olhos, assustado, mas quando tomou rumo para refugiar-se em seu pequeno planeta, aquela forçade nome Monoceros (que além de patas cascudas, uma cauda engraçada e um único chifre em espiral no centro da cabeça, também possuía um cheiro de esterco muito forte) correu até ele e o imobilizou.
- Fique aí pequenino. — disse Monoceros com o seu hálito horrível.
- Então fica quieto que esse teu bafo vai acabar me matando. — provocou Escorpião, cuspindo na cara daquele. — Me deixem em paz, seus prevalecidos! Quero ver só um de vocês me encarar!
- Cala a boca, seu miúdo! — veio Órion em uma violenta investida, acertando uma cabeçada na barriga de um totalmente imobilizado Escorpião.
- Seus covardes!
Um verde ser, com escamas espinçadas, asas encouraçadas e um característico bigode fino foi se aproximando deles.
- Veio se divertir um pouco também, Draco? — perguntou Monoceros, que segurava Escorpião enquanto Órion o preenchia de porretadas gratuitas.
- Mas é claro! — discorreu Draco rapidamente, pegando uma das mãos do imobilizado raivoso, abrindo sua grande boca e dela orando uma abrasiva quantidade de chamas.
- Parem com isso! — gritava Escorpião, já com a mão queimada — Venham me encarar, um por um, seus covardes!
- Que bonitinho. — falou Ofiúco, ser também escamoso e com uma grande cobra enrolada sobre o corpo, apertando a bochecha de Escorpião.
- Olha só que engraçadinho! — disse Monoceros, acariciando a barriga daquele quem ele imobilizava — Só ele é preciso para esse planetinha miúdo.
- O trabalho mais fácil que existe! — afirmou Draco, convicto.
- Calem a boca…- embraveceu Escorpião, cerrando os dentes. — Me soltem.
- Solta ele, Mono. Pode soltar. — disse Órion, fazendo sinal com a mão para Monoceros parar.
O fedorento soltou Escorpião, mas logo em seguida Órion botou o mindinho sobre o peito de silício do recém solto.
Escorpião voltou a ficar paralisado com aquilo.
- Olhem, eu seguro o coitado com um dedinho só! — aos risos falou Órion.
As gargalhadas começaram e, seguindo elas, golpes baixos vieram de todos os lados. Era uma covardia sem igual. Quatro forças constelares maltratando apenas uma força planetária.
Escorpião não dizia mais um “ai”, apenas sofria em silêncio, já que ele a nada podia fazer perante aquilo. Ao olhar um pouco mais para trás dos quatro inquisidores o chumbado dos dentes afiados percebeu que alguém ali chegava com o intuito de tentar acabar com o seu sofrimento.
Era um ser com duas faces, uma branca e uma preta, mas ele também aparentava fragilidade. Era, com certeza, uma força planetária. Escorpião apenas olhou para ele e acenou negativamente com a cabeça, afirmando que aquele ato não era necessário. O ser com duas faces assentiu e foi embora dali.
Pontapés, socos, chutes e queimaduras são aplicadas aquela pobre força que a nada tinha feito para receber tamanho mal tratamento. Depois de uma rasteira vinda de Ofiúco, Escorpião cai perante as estrelas já sem forças para conseguir se levantar.
Draco fulgurou o porrete de Órion, tornando esta arma em uma arma flamejante. Órion, de uma maneira desnecessária, levantou o porrete em chamas e desceu-o com uma força descomunal em direção da cabeça de Escorpião. A força planetária desmaia com o rosto lavado de sangue.
- Vish, será que tu mataste o coitado? — perguntou um agora preocupado Monoceros.
- Ah, tanto faz… — respondeu Órion. — Vamos deixar esse inútil aqui e vamos atrás de algum desafio de verdade.
- É verdade! — se meteu Draco, jorrando fogo sobre as palavras. — Um planeta anão não precisa de uma força para protegê-lo.
As quatro forças constelares gargalham sem parar, depois de alguns segundos acabam saindo dali. Deixando o corpo da força planetária sobre a vastidão cosmológica.
Escorpião abre os olhos e se encontra no meio de um eterno campo estelar. Ele não sabe onde está e sua cabeça dói muito. Com uma mão queimada e com sangue saindo de tudo quanto é parte do corpo, a força planetária toma rumo de um grande globo flamejante que pode ser avistado longe dali, o qual é o líder daquele Sistema.
Depois de muito tempo, mesmo, para chegar até o Sol, Escorpião, cabisbaixo, toma rumo até o seu planeta regente, Plutão.
Escorpião passa despercebido por todas as outras forças, pois é vertiginoso demais. Aprendeu a misturar-se com a escuridão para aqueles que fazem aquilo que o fizeram nunca assim o façam. Ele foi muito otimista achando que passaria despercebido naquele momento em que tentou destruir o meteoro.
A força planetária vai passando pelos planetas de seu Sistema e, a cada passo que dá, remói ainda mais o ódio que sente por Órion. Ele um dia iria se vingar. Provar que é o melhor.
Quando Escorpião finalmente chega até o seu regente, Plutão fala:
- Onde você estava?! Eu fiquei muito preocupado, sabia?
Escorpião olha com os seus olhos negros para seu núcleo regente com uma expressão intimidadora e fala:
- Ele irá me pagar. Eu terei minha vingança.
Logo após Escorpião dizer essas palavras uma ponderosa voz, com magnitude suficiente para embalar a todo aquele Sistema, exclamou para todos ouvirem:
– As Trevas emergiram, eu preciso das forças! Regentes, dar-me-ão tuas forças!
- O Sol precisa de ti, meu fiel Escorpião. — disse Plutão em tom de orgulho.
- Minha vingança está mais próxima do que eu esperava. — discorreu Escorpião com um sádico sorriso afiado estampado na face. — Todos eles irão me pagar. Eu provarei que sou o melhor de todos.
O planeta que aquele asqueroso Sol acabara de chamar de Netuno nasceu. É a oportunidade perfeita para o Caos dar o troco por tudo aquilo que o dourado já fez com ele.
Em uma posição estratégica perto (mas não perto o suficiente para entrar na órbita) de Netuno, um pequeno núcleo findou no cosmos quando vinha na migração planetária de Netuno. Esse pequeno núcleo estava ainda no Sistema Solar. O Caos sorriu e não pensou duas vezes para abraçá-lo com suas fumacentas mãos etéreas. O trabalho do Caos havia começado.
Dois grandes Umbra (que nada mais são do que portais de energia caótica) foram instaurados naquele minúsculo núcleo. O Sol não tinha nem chance. Dentro desses Umbra, diversos Portentum (os maiores escravos do Caos, aqueles que fazem todo o trabalho sombrio ganhar vida) trabalharam na mais caótica função que os foi delegada.
— Vocês farão, de diversos Crudelis, dois seres de força inesgotável. Que comandarão a tudo aqui!
Os Portentum, eram três em cada Umbra, reverenciaram-se para o seu chefe e começaram o trabalho.
Eles criavam sem muita dificuldade os pequenos conjuradores sombrios chamados Crudelis, que tinham como função enegrecer o núcleo fora dos Umbra.
Cada Portentum criou milhares de Crudelis, mas antes de deixá-los saírem do Umbra, eles os acoplaram em diversos grupos e, com suas mãozorras quase maiores do que aquele núcleo, os esmagaram sem dó e nem piedade. Desse negrume gosmento que espatifou-se em suas mãos eles começaram a misturar com alguns elementos que encontraram naquele núcleo. Como materiais rochosos e esferas de gelo. Depois de um molde eles criaram o primeiro.
Com uma imponente armadura, o rosto brilhando escarlate e com uma lâmina gigante em um dos braços nasceu Plasma. Foi o Caos quem o batizou.
Já no outro Umbra os Portentum criaram uma criatura diferente. Apenas com os farelos de milhares de Crudelis e com pouco material rochoso. O molde foi feito com precisão e o segundo Tenebris nasceu.
Tinha asas espinçadas, quatro temíveis olhos vermelhos e com uma, aparente, inesgotável vontade de fazer o mal. O Caos o batizou de Limbus.
Os dois já nasceram sabendo que eram eles quem mandavam em tudo por ali. Tudo menos o Caos, é claro. Que era o único que tinha direito de mandar neles.
Plasma e Limbus também foram ensinados que eram irmãos, e logo começaram a fazer suas delegações, como mandar os Crudelis enegrecerem ainda mais aquele pequeno núcleo.
Limbus estava próximo do Umbra da direita, onde o núcleo apresentava uma estrutura rochosa manteada por um material gelado, que fazia fumacinhas de frio. Logo ele viu seu irmão chegar até lá.
— Algum problema, mano? — perguntou Limbus, levantando uma de suas quatro sobrancelhas.
— Não me chame assim. Meu nome é Plasma. — respondeu rispidamente. — Estou sentindo que algo de errado irá acontecer.
— Tipo o quê?
— Não sei dizer, é apenas uma sensação…
Plasma logo virou as costas e saiu dali. Limbus ficou com aquilo matutando em sua cabeça durante um tempo.
Quando havia se esquecido disso, em um momento que a escuridão que imperava era tamanha naquele núcleo que mais nada poderia ser feito, algo de estranho aconteceu.
Raios incandesceram com fervorosidade tamanha que Limbus não viu nada o que poderia fazer ali. Tentou alçar um voo para longe dali, mas já era tarde. Aquela luminosidade o engolfou e o mandou para longe daquele núcleo.
Limbus estava dispersando sobre o cosmos, perdido e sem rumo, quando viu que seu irmão também estava passando por aquilo, foi expurgado para longe daquele núcleo que ele logo soube que o Sol o abraçou como planeta e o batizou de Plutão.
Plasma estava perdido no meio de uma negra vastidão cósmica, sabia que estava perto de uma galáxia já morta. Ele apenas chorava em silêncio. Quando abriu os olhos viu seu irmão vindo para relativamente próximo dali também. O Sol foi preciso nos seus cálculos e os mandou para uma galaxia já morta. Ele, com certeza, era um líder de sistema e tanto para realizar tal façanha, pensou Plasma consigo mesmo.
Limbus não exitou em esboçar um fraco sorriso quando viu seu irmão ali perto, mas eles a nada podiam fazer, pois não tinham controle do corpo sobre aquela matéria, aparentemente, invisível.
Quando caíram no meio daquela galáxia já sem vida, ambos sentiram o fim de suas vidas. Mas sentir não é acontecer.
Mãos protuberantes e escuras engolfaram os dois irmãos e uma já conhecida voz exclamou para eles:
— Tenho uma outra missão para vocês, sim, tenho sim!
— Chefe, achei que você teria sido derrotado! — bradou Limbus.
— Cala a boca, inútil. Eu sou imortal! — urrou o Caos, fazendo Limbus estremecer. — Essa galáxia, por exemplo, morreu por minha causa. É um dos meus refúgios quando as coisas fogem de meu controle.
Plasma apenas assentia com um sorriso sádico no rosto. Limbus o viu e acabou o imitando, meio sem saber o que fazer.
— Tenho um novo trabalho para vocês. Eu jogarei todo esse meu império caótico para um núcleo telúrico que está se formando no Sistema Solar. Minhas derrotas para o Sol já foram tamanhas que eu vou engolfar a toda aquela galáxia! — gritou o Caos com sua voz de trovão.
— A Via Láctea será sua, meu mestre. — disse Plasma jogando os braços para cima.
Limbus o imitou.
— Vamos, meus Tenebris. Dessa vez eu tenho certeza de que o Sol não dará conta de nos derrotar.
Plasma e Limbus se olharam. Limbus com medo e Plasma com um sadismo fora do comum.

by NecroseEvangelicum


Somos sacos perecíveis
Em camadas invisíveis,
Dentro de cascas putrescíveis
E nos achamos invencíveis

Dos dilemas mais horríveis
Às morais que são vendíveis,
Somos tolos, insensíveis,
Tão sem alma, tão incríveis

Nós conseguimos fazer história juntos!

Sim, é verdade, pessoal! Nós conseguimos bater a meta mínima para dar vida ao meu mais novo projeto!
Não sabe do que estou falando? Está boiando ao ler esse texto? Calma, que já te explico tudinho.
Como você bem sabe (ou não, mas agora está sabendo) sou um autor independente e sobrevivo só da literatura, uma façanha quase impossível de ser realizada aqui no nosso Brasilzão, mas eu dou conta do recado. E o dinheiro das vendas dos meus livros serve apenas para eu pagar as contas básicas da casa, como água, luz, internet, etc... 
Como eu iria ter dinheiro guardado para lançar outro livro de maneira independente?
Resolvi arriscar no financiamento coletivo. Fiz um vídeo no meu canal do youtube excplicando toda a situação, como apoiar, quais as recompensas, sinopse do livro, etc...
Com a força dos meus leitores consegui arrecadar uma boa quantia através do site que usei como meio para este fim, mas o que me surpreendeu (mesmo!) é que recebi muito apoio direto, seja ele como dinheiro na minha mão, ou via depósito bancário.
Com esse mesmo dinheiro eu consegui adiantar algumas partes essenciais do projeto, como a revisão do livro e a capa.

Capa do livro "A Valsa Eterna". Capa feita por Marina Ávila.

Com a capa finalizada ficou muito mais fácil chamar a atenção de novos leitores no momento da divulgação do financiamento coletivo nas redes sociais.
Para a divulgar o projeto também usei as ilustrações exclusivas feitas para o livro, mais uma vez chamei o artista Izi Molina (ilustrou Origem do Além) para dar vida aos meus personagens.

Karma e Dharma, personagens do livro A Valsa Eterna, por Izi Molina.

Sinceramente, achei que o financiamento não iria rolar, visto que o comecei em um momento turbulento da minha vida, onde estava até correndo atrás de empregos regulares (quase consegui um trabalho como vendedor em uma loja de camisetas de futebol e basquete, mas no fim acabaram não me contratando) e sem esperança nenhuma do meu trabalho como escritor vingar.
No fim das contas terminei esse financiamento com muitos leitores novos e com uma estabilidade financeira aceitável, além disso tenho a garantia de que meu segundo livro será publicado e que será um sucesso de vendas!

Por fim, deixo aqui um agradecimento mais do que especial para todos os meus apoiadores:
Felipe Nogueira
Rogério Puiatti
Marcos Felipe
Ricardo Souza
Deborah Guedes Santana (Leonardo A. Guedes)
Carol Mendes
David Akira Iizuka Lucio
Ismael Pereira Cardoso
Marcelo José de Lima Silva
Matheus Siqueira
Daniel Borba de Souza
Ivone Ullmann
Norberto Ullmann
Elvis de Lima
Alex Figueiredo Leite
Miriã Cardoso
Márcia Cantamissa
Eduardo Balthar Matias
Alison Luiz
Vítor Dantas
Livete Heldt Urban
Frederic Ludwig Justo
Murilo Almeida de Jesus e Jesus
Sergio Ferreira Stonelli Junior
Sheily Gomes
Filipe Ernesto
Tânalie Almeida de Lima
Ana Julia Luz
Aldair Teixeira Lopes
Manoel Francelino da Silva
Marcela de Souza
Eduardo Vilar
Lucas Borges
Mailson Santos
Lalesca Klettenberg Moreira
Grégory Faria de Oliveira





O colírio dos meus olhos
São os livros na estante
Mais do que tua beleza,
É teu cérebro pensante

Casarei com tua mente
Pulsarei teu coração
Em um gesto comumente
Nossas almas se unirão

Acontece, de repente
Um conflito de emoção
O mais forte da vertente
É quem usa a razão


Applause by Brute-ua

Alguns vivem para serem aplaudidos
Outros para aplaudir
Uns são famosos
Outros famintos