No centro de um Sistema, de uma galáxia chamada Via Láctea, fica o líder Sol. Dono de muitos núcleos, os quais ele batizou de planetas.
Mas no centro do Sol, dentro dele, há uma poderosa força em ascensão. O filho do próprio Sol jaz em uma meditação profunda dentro de seu pai.
Com uma característica juba que esvoaça em meio a raios ultravioletas e músculos cabeludos que refletem um brilho incandescente o filho do Sol fica sentado, de olhos fechados, apenas acumulando a sua força, que vem toda da iluminação de seu pai.
O Sol batiza o seu filho, Leão é o nome da cabeluda criatura. Num sussurro de seu pai falando o seu nome os seus ouvidos aguçaram e absorveram aquela informação e, a partir disso, o Sol começou a falar, internamente, com o seu filho:
- Enquanto tu cresces, meu filho, eu te darei os mais preciosos conselhos sobre liderança. Tu serás o líder de um poderoso grupo, o qual delegarei uma importante missão, em um futuro não tão próximo.
- E o que devo fazer, meu pai? — perguntou Leão, através de telepatia.
- Um líder não pode dispor de palavras vazias. Precisa juntá-las aos atos, ao coloca-las em prática. — respondeu o grande globo flamejante.- Além do mais, tu precisas conhecer o conceito mais importante de todos, meu filho. O conceito de vencer sem lutar.
- Vencer sem lutar? Isso me parece impossível!
O Sol gargalhou um pouquinho, mas logo retomou:
- Lembra-te sempre disso, meu filho: se conheces os outros e conhece a ti mesmo, nem em cem lutas correrás perigo, se não conheces os outros, mas conhece a ti mesmo, perderás uma luta e ganharás outra; se não conhece os outros, nem a ti mesmo, correrás perigo em cada luta.
- Eu conseguirei fazer isso, eu sou o melhor!
- Não, Leão! Sendo meu filho, creio que te acharás muito superior aos outros, mas isso não é verdade. Tu tens de conhecer o outro tão bem quanto te conheces, pois só assim não correrás riscos em batalhas vindouras.
- Tudo bem, foi um erro grotesco, pai. Mas às vezes eu não consigo conter isso. Parece que está sempre comigo esse orgulho de ser eu.
- Se tua personalidade é assim, então, perfeito! Mas não deixe o otimismo morrer pelo egoísmo. — voltou a alertar o Sol.
- Farei o possível para alcançar a excelência da liderança, meu pai.
- Lembra-te sempre de ouvir os outros, meu filho. — continuou o grande globo dourado. — Saber ouvir é a base de um relacionamento saudável para com os seus colegas. Preze sempre pelo trabalho em equipe, pois é muito mais fácil resolver um problema coletivamente do que sozinho.
- Tudo bem, saber ouvir e saber trabalhar em equipe. — disse Leão, mais para si mesmo do que para o Sol.
- Somente lute após fazer uma estimação do terreno e das situações encontradas. Aquele que conhece primeiro a medida do que está distante e o que está perto sempre ganha. Está é a regra geral da guerra.
Algo terrível acaba de acontecer, entre Vênus e Marte um novo aparente planeta parece surgir em meio de uma escuridão absurda. O Sol tenta radiar como nunca radiara antes, Leão sente os raios de seu pai fulgurando muito mais intensamente do que nunca, mas não surte efeito diante tamanha escuridão.
O Sol fala para Leão rapidamente:
- Tu terás que liderar um time que recrutarei agora. Creio que para um pequeno planeta tu já estejas preparado para enfrentar.
- Eu dou conta disso, pai!
Depois de um tempo de silêncio o Sol exclama um som ensurdecedor que reverbera pelo cosmos:
- As Trevas emergiram, eu preciso das forças! Regentes, dar-me-ão tuas forças!
Leão sabe que sua missão começará em instantes.


Queria eu ser espontâneo,
Ser um tanto momentâneo,
Fazer sucesso instantâneo
E de feliz, ser simultâneo

Às vezes sou assim tão egoísta
Não virarei frustrado artista
Que já foi tão idealista
E hoje é só um pessimista


Um planeta miúdo de nome Plutão, composto de nitrogênio e metano, existia logo atrás de um enorme planeta que o escondia, chamado Netuno.
Plutão era discriminado por algumas estrelas e por outros planetas que ali perto, no Sistema Solar, existiam. Era chamado de planeta anão, por ser menor do que os outros. Mas Plutão provava ser um planeta, sim! Pois uma força da existência dele surgiu. O nome dessa força é Escorpião.
Sempre com um sádico sorriso no rosto, mostrando dentes afiadíssimos que reluziam na sua concreta pele de silício, Escorpião patrulhava perto do seu patamar estelar e não costumava sair muito dali, pois as outras forças, em especial as que eram regidas por constelações, o tiravam do sério.
Um meteoro longínquo parecia tomar direção do pequeno planeta ao qual Escorpião era regido. O sádico da pele cor de chumbo tomou rumo daquele meteoro, para pôr um fim nele. Quando chegou até lá, tirou o seu chicote para esfarelar aquela rocha que poderia destruir Plutão em um só impacto, mas algo inesperado aconteceu.
Um porrete desintegrou o meteoro no mesmo momento que o tocou. O desaparecimento da enorme rocha revelou, em evidência, aquele que era considerado a força mais forte do Sistema Solar, com o seu escudo na outra mão e um cinturão dourado na cintura. Órion chamou aqueles que estavam atrás dele:
- Ofiúco, Draco e Monoceros. Venham ver isso!
Escorpião arregalou os olhos, assustado, mas quando tomou rumo para refugiar-se em seu pequeno planeta, aquela forçade nome Monoceros (que além de patas cascudas, uma cauda engraçada e um único chifre em espiral no centro da cabeça, também possuía um cheiro de esterco muito forte) correu até ele e o imobilizou.
- Fique aí pequenino. — disse Monoceros com o seu hálito horrível.
- Então fica quieto que esse teu bafo vai acabar me matando. — provocou Escorpião, cuspindo na cara daquele. — Me deixem em paz, seus prevalecidos! Quero ver só um de vocês me encarar!
- Cala a boca, seu miúdo! — veio Órion em uma violenta investida, acertando uma cabeçada na barriga de um totalmente imobilizado Escorpião.
- Seus covardes!
Um verde ser, com escamas espinçadas, asas encouraçadas e um característico bigode fino foi se aproximando deles.
- Veio se divertir um pouco também, Draco? — perguntou Monoceros, que segurava Escorpião enquanto Órion o preenchia de porretadas gratuitas.
- Mas é claro! — discorreu Draco rapidamente, pegando uma das mãos do imobilizado raivoso, abrindo sua grande boca e dela orando uma abrasiva quantidade de chamas.
- Parem com isso! — gritava Escorpião, já com a mão queimada — Venham me encarar, um por um, seus covardes!
- Que bonitinho. — falou Ofiúco, ser também escamoso e com uma grande cobra enrolada sobre o corpo, apertando a bochecha de Escorpião.
- Olha só que engraçadinho! — disse Monoceros, acariciando a barriga daquele quem ele imobilizava — Só ele é preciso para esse planetinha miúdo.
- O trabalho mais fácil que existe! — afirmou Draco, convicto.
- Calem a boca…- embraveceu Escorpião, cerrando os dentes. — Me soltem.
- Solta ele, Mono. Pode soltar. — disse Órion, fazendo sinal com a mão para Monoceros parar.
O fedorento soltou Escorpião, mas logo em seguida Órion botou o mindinho sobre o peito de silício do recém solto.
Escorpião voltou a ficar paralisado com aquilo.
- Olhem, eu seguro o coitado com um dedinho só! — aos risos falou Órion.
As gargalhadas começaram e, seguindo elas, golpes baixos vieram de todos os lados. Era uma covardia sem igual. Quatro forças constelares maltratando apenas uma força planetária.
Escorpião não dizia mais um “ai”, apenas sofria em silêncio, já que ele a nada podia fazer perante aquilo. Ao olhar um pouco mais para trás dos quatro inquisidores o chumbado dos dentes afiados percebeu que alguém ali chegava com o intuito de tentar acabar com o seu sofrimento.
Era um ser com duas faces, uma branca e uma preta, mas ele também aparentava fragilidade. Era, com certeza, uma força planetária. Escorpião apenas olhou para ele e acenou negativamente com a cabeça, afirmando que aquele ato não era necessário. O ser com duas faces assentiu e foi embora dali.
Pontapés, socos, chutes e queimaduras são aplicadas aquela pobre força que a nada tinha feito para receber tamanho mal tratamento. Depois de uma rasteira vinda de Ofiúco, Escorpião cai perante as estrelas já sem forças para conseguir se levantar.
Draco fulgurou o porrete de Órion, tornando esta arma em uma arma flamejante. Órion, de uma maneira desnecessária, levantou o porrete em chamas e desceu-o com uma força descomunal em direção da cabeça de Escorpião. A força planetária desmaia com o rosto lavado de sangue.
- Vish, será que tu mataste o coitado? — perguntou um agora preocupado Monoceros.
- Ah, tanto faz… — respondeu Órion. — Vamos deixar esse inútil aqui e vamos atrás de algum desafio de verdade.
- É verdade! — se meteu Draco, jorrando fogo sobre as palavras. — Um planeta anão não precisa de uma força para protegê-lo.
As quatro forças constelares gargalham sem parar, depois de alguns segundos acabam saindo dali. Deixando o corpo da força planetária sobre a vastidão cosmológica.
Escorpião abre os olhos e se encontra no meio de um eterno campo estelar. Ele não sabe onde está e sua cabeça dói muito. Com uma mão queimada e com sangue saindo de tudo quanto é parte do corpo, a força planetária toma rumo de um grande globo flamejante que pode ser avistado longe dali, o qual é o líder daquele Sistema.
Depois de muito tempo, mesmo, para chegar até o Sol, Escorpião, cabisbaixo, toma rumo até o seu planeta regente, Plutão.
Escorpião passa despercebido por todas as outras forças, pois é vertiginoso demais. Aprendeu a misturar-se com a escuridão para aqueles que fazem aquilo que o fizeram nunca assim o façam. Ele foi muito otimista achando que passaria despercebido naquele momento em que tentou destruir o meteoro.
A força planetária vai passando pelos planetas de seu Sistema e, a cada passo que dá, remói ainda mais o ódio que sente por Órion. Ele um dia iria se vingar. Provar que é o melhor.
Quando Escorpião finalmente chega até o seu regente, Plutão fala:
- Onde você estava?! Eu fiquei muito preocupado, sabia?
Escorpião olha com os seus olhos negros para seu núcleo regente com uma expressão intimidadora e fala:
- Ele irá me pagar. Eu terei minha vingança.
Logo após Escorpião dizer essas palavras uma ponderosa voz, com magnitude suficiente para embalar a todo aquele Sistema, exclamou para todos ouvirem:
– As Trevas emergiram, eu preciso das forças! Regentes, dar-me-ão tuas forças!
- O Sol precisa de ti, meu fiel Escorpião. — disse Plutão em tom de orgulho.
- Minha vingança está mais próxima do que eu esperava. — discorreu Escorpião com um sádico sorriso afiado estampado na face. — Todos eles irão me pagar. Eu provarei que sou o melhor de todos.
O planeta que aquele asqueroso Sol acabara de chamar de Netuno nasceu. É a oportunidade perfeita para o Caos dar o troco por tudo aquilo que o dourado já fez com ele.
Em uma posição estratégica perto (mas não perto o suficiente para entrar na órbita) de Netuno, um pequeno núcleo findou no cosmos quando vinha na migração planetária de Netuno. Esse pequeno núcleo estava ainda no Sistema Solar. O Caos sorriu e não pensou duas vezes para abraçá-lo com suas fumacentas mãos etéreas. O trabalho do Caos havia começado.
Dois grandes Umbra (que nada mais são do que portais de energia caótica) foram instaurados naquele minúsculo núcleo. O Sol não tinha nem chance. Dentro desses Umbra, diversos Portentum (os maiores escravos do Caos, aqueles que fazem todo o trabalho sombrio ganhar vida) trabalharam na mais caótica função que os foi delegada.
— Vocês farão, de diversos Crudelis, dois seres de força inesgotável. Que comandarão a tudo aqui!
Os Portentum, eram três em cada Umbra, reverenciaram-se para o seu chefe e começaram o trabalho.
Eles criavam sem muita dificuldade os pequenos conjuradores sombrios chamados Crudelis, que tinham como função enegrecer o núcleo fora dos Umbra.
Cada Portentum criou milhares de Crudelis, mas antes de deixá-los saírem do Umbra, eles os acoplaram em diversos grupos e, com suas mãozorras quase maiores do que aquele núcleo, os esmagaram sem dó e nem piedade. Desse negrume gosmento que espatifou-se em suas mãos eles começaram a misturar com alguns elementos que encontraram naquele núcleo. Como materiais rochosos e esferas de gelo. Depois de um molde eles criaram o primeiro.
Com uma imponente armadura, o rosto brilhando escarlate e com uma lâmina gigante em um dos braços nasceu Plasma. Foi o Caos quem o batizou.
Já no outro Umbra os Portentum criaram uma criatura diferente. Apenas com os farelos de milhares de Crudelis e com pouco material rochoso. O molde foi feito com precisão e o segundo Tenebris nasceu.
Tinha asas espinçadas, quatro temíveis olhos vermelhos e com uma, aparente, inesgotável vontade de fazer o mal. O Caos o batizou de Limbus.
Os dois já nasceram sabendo que eram eles quem mandavam em tudo por ali. Tudo menos o Caos, é claro. Que era o único que tinha direito de mandar neles.
Plasma e Limbus também foram ensinados que eram irmãos, e logo começaram a fazer suas delegações, como mandar os Crudelis enegrecerem ainda mais aquele pequeno núcleo.
Limbus estava próximo do Umbra da direita, onde o núcleo apresentava uma estrutura rochosa manteada por um material gelado, que fazia fumacinhas de frio. Logo ele viu seu irmão chegar até lá.
— Algum problema, mano? — perguntou Limbus, levantando uma de suas quatro sobrancelhas.
— Não me chame assim. Meu nome é Plasma. — respondeu rispidamente. — Estou sentindo que algo de errado irá acontecer.
— Tipo o quê?
— Não sei dizer, é apenas uma sensação…
Plasma logo virou as costas e saiu dali. Limbus ficou com aquilo matutando em sua cabeça durante um tempo.
Quando havia se esquecido disso, em um momento que a escuridão que imperava era tamanha naquele núcleo que mais nada poderia ser feito, algo de estranho aconteceu.
Raios incandesceram com fervorosidade tamanha que Limbus não viu nada o que poderia fazer ali. Tentou alçar um voo para longe dali, mas já era tarde. Aquela luminosidade o engolfou e o mandou para longe daquele núcleo.
Limbus estava dispersando sobre o cosmos, perdido e sem rumo, quando viu que seu irmão também estava passando por aquilo, foi expurgado para longe daquele núcleo que ele logo soube que o Sol o abraçou como planeta e o batizou de Plutão.
Plasma estava perdido no meio de uma negra vastidão cósmica, sabia que estava perto de uma galáxia já morta. Ele apenas chorava em silêncio. Quando abriu os olhos viu seu irmão vindo para relativamente próximo dali também. O Sol foi preciso nos seus cálculos e os mandou para uma galaxia já morta. Ele, com certeza, era um líder de sistema e tanto para realizar tal façanha, pensou Plasma consigo mesmo.
Limbus não exitou em esboçar um fraco sorriso quando viu seu irmão ali perto, mas eles a nada podiam fazer, pois não tinham controle do corpo sobre aquela matéria, aparentemente, invisível.
Quando caíram no meio daquela galáxia já sem vida, ambos sentiram o fim de suas vidas. Mas sentir não é acontecer.
Mãos protuberantes e escuras engolfaram os dois irmãos e uma já conhecida voz exclamou para eles:
— Tenho uma outra missão para vocês, sim, tenho sim!
— Chefe, achei que você teria sido derrotado! — bradou Limbus.
— Cala a boca, inútil. Eu sou imortal! — urrou o Caos, fazendo Limbus estremecer. — Essa galáxia, por exemplo, morreu por minha causa. É um dos meus refúgios quando as coisas fogem de meu controle.
Plasma apenas assentia com um sorriso sádico no rosto. Limbus o viu e acabou o imitando, meio sem saber o que fazer.
— Tenho um novo trabalho para vocês. Eu jogarei todo esse meu império caótico para um núcleo telúrico que está se formando no Sistema Solar. Minhas derrotas para o Sol já foram tamanhas que eu vou engolfar a toda aquela galáxia! — gritou o Caos com sua voz de trovão.
— A Via Láctea será sua, meu mestre. — disse Plasma jogando os braços para cima.
Limbus o imitou.
— Vamos, meus Tenebris. Dessa vez eu tenho certeza de que o Sol não dará conta de nos derrotar.
Plasma e Limbus se olharam. Limbus com medo e Plasma com um sadismo fora do comum.

by NecroseEvangelicum


Somos sacos perecíveis
Em camadas invisíveis,
Dentro de cascas putrescíveis
E nos achamos invencíveis

Dos dilemas mais horríveis
Às morais que são vendíveis,
Somos tolos, insensíveis,
Tão sem alma, tão incríveis