Missão à Plutão

O planeta que aquele asqueroso Sol acabara de chamar de Netuno nasceu. É a oportunidade perfeita para o Caos dar o troco por tudo aquilo que o dourado já fez com ele.
Em uma posição estratégica perto (mas não perto o suficiente para entrar na órbita) de Netuno, um pequeno núcleo findou no cosmos quando vinha na migração planetária de Netuno. Esse pequeno núcleo estava ainda no Sistema Solar. O Caos sorriu e não pensou duas vezes para abraçá-lo com suas fumacentas mãos etéreas. O trabalho do Caos havia começado.
Dois grandes Umbra (que nada mais são do que portais de energia caótica) foram instaurados naquele minúsculo núcleo. O Sol não tinha nem chance. Dentro desses Umbra, diversos Portentum (os maiores escravos do Caos, aqueles que fazem todo o trabalho sombrio ganhar vida) trabalharam na mais caótica função que os foi delegada.
— Vocês farão, de diversos Crudelis, dois seres de força inesgotável. Que comandarão a tudo aqui!
Os Portentum, eram três em cada Umbra, reverenciaram-se para o seu chefe e começaram o trabalho.
Eles criavam sem muita dificuldade os pequenos conjuradores sombrios chamados Crudelis, que tinham como função enegrecer o núcleo fora dos Umbra.
Cada Portentum criou milhares de Crudelis, mas antes de deixá-los saírem do Umbra, eles os acoplaram em diversos grupos e, com suas mãozorras quase maiores do que aquele núcleo, os esmagaram sem dó e nem piedade. Desse negrume gosmento que espatifou-se em suas mãos eles começaram a misturar com alguns elementos que encontraram naquele núcleo. Como materiais rochosos e esferas de gelo. Depois de um molde eles criaram o primeiro.
Com uma imponente armadura, o rosto brilhando escarlate e com uma lâmina gigante em um dos braços nasceu Plasma. Foi o Caos quem o batizou.
Já no outro Umbra os Portentum criaram uma criatura diferente. Apenas com os farelos de milhares de Crudelis e com pouco material rochoso. O molde foi feito com precisão e o segundo Tenebris nasceu.
Tinha asas espinçadas, quatro temíveis olhos vermelhos e com uma, aparente, inesgotável vontade de fazer o mal. O Caos o batizou de Limbus.
Os dois já nasceram sabendo que eram eles quem mandavam em tudo por ali. Tudo menos o Caos, é claro. Que era o único que tinha direito de mandar neles.
Plasma e Limbus também foram ensinados que eram irmãos, e logo começaram a fazer suas delegações, como mandar os Crudelis enegrecerem ainda mais aquele pequeno núcleo.
Limbus estava próximo do Umbra da direita, onde o núcleo apresentava uma estrutura rochosa manteada por um material gelado, que fazia fumacinhas de frio. Logo ele viu seu irmão chegar até lá.
— Algum problema, mano? — perguntou Limbus, levantando uma de suas quatro sobrancelhas.
— Não me chame assim. Meu nome é Plasma. — respondeu rispidamente. — Estou sentindo que algo de errado irá acontecer.
— Tipo o quê?
— Não sei dizer, é apenas uma sensação…
Plasma logo virou as costas e saiu dali. Limbus ficou com aquilo matutando em sua cabeça durante um tempo.
Quando havia se esquecido disso, em um momento que a escuridão que imperava era tamanha naquele núcleo que mais nada poderia ser feito, algo de estranho aconteceu.
Raios incandesceram com fervorosidade tamanha que Limbus não viu nada o que poderia fazer ali. Tentou alçar um voo para longe dali, mas já era tarde. Aquela luminosidade o engolfou e o mandou para longe daquele núcleo.
Limbus estava dispersando sobre o cosmos, perdido e sem rumo, quando viu que seu irmão também estava passando por aquilo, foi expurgado para longe daquele núcleo que ele logo soube que o Sol o abraçou como planeta e o batizou de Plutão.
Plasma estava perdido no meio de uma negra vastidão cósmica, sabia que estava perto de uma galáxia já morta. Ele apenas chorava em silêncio. Quando abriu os olhos viu seu irmão vindo para relativamente próximo dali também. O Sol foi preciso nos seus cálculos e os mandou para uma galaxia já morta. Ele, com certeza, era um líder de sistema e tanto para realizar tal façanha, pensou Plasma consigo mesmo.
Limbus não exitou em esboçar um fraco sorriso quando viu seu irmão ali perto, mas eles a nada podiam fazer, pois não tinham controle do corpo sobre aquela matéria, aparentemente, invisível.
Quando caíram no meio daquela galáxia já sem vida, ambos sentiram o fim de suas vidas. Mas sentir não é acontecer.
Mãos protuberantes e escuras engolfaram os dois irmãos e uma já conhecida voz exclamou para eles:
— Tenho uma outra missão para vocês, sim, tenho sim!
— Chefe, achei que você teria sido derrotado! — bradou Limbus.
— Cala a boca, inútil. Eu sou imortal! — urrou o Caos, fazendo Limbus estremecer. — Essa galáxia, por exemplo, morreu por minha causa. É um dos meus refúgios quando as coisas fogem de meu controle.
Plasma apenas assentia com um sorriso sádico no rosto. Limbus o viu e acabou o imitando, meio sem saber o que fazer.
— Tenho um novo trabalho para vocês. Eu jogarei todo esse meu império caótico para um núcleo telúrico que está se formando no Sistema Solar. Minhas derrotas para o Sol já foram tamanhas que eu vou engolfar a toda aquela galáxia! — gritou o Caos com sua voz de trovão.
— A Via Láctea será sua, meu mestre. — disse Plasma jogando os braços para cima.
Limbus o imitou.
— Vamos, meus Tenebris. Dessa vez eu tenho certeza de que o Sol não dará conta de nos derrotar.
Plasma e Limbus se olharam. Limbus com medo e Plasma com um sadismo fora do comum.