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Romance Moderno

Por : Eduardo Heldt Urban
Ilustração por NetRaptor (http://netraptor.deviantart.com/art/Dark-romance-value-sketch-196971562)


Amor, dos pés a cabeça
Um horror, por mais que eu mereça
No peito uma dor, não faz diferença
É difícil de expor, pois há desavença
Nos ramos de flor, tento fazer a nascença
Desse pudor, dessa paixão-doença

As costas do passado doem

Por : Eduardo Heldt Urban
Ilustração de Silent Haze: http://silent--haze.deviantart.com/

Passado era o mais velho de três irmãos, sendo que Presente era o irmão do meio e Futuro a caçula. Um dia eles se sentaram sobre uma fogueira e decidiram se encarregar de suas eternas funções com a humanidade.
- Serei encarregado pelo agora de cada um. – afirmou o Presente.
- Eu serei o que irá acontecer com eles, quase um sinônimo de destino. – disse o Futuro.
O passado sorriu e afirmou orgulhoso:

- E eu carregarei comigo as suas vergonhas.

Rotina

Por : Eduardo Heldt Urban
Imagem de domínio público

Era uma vez um palhaço em meio a uma grande plateia. A plateia precisava somente dele e ele precisava somente dela. Como um bom colecionador de sorrisos os aplausos supriam o seu vício, mas tão logo um silencio o ensurdeceu e uma música circense respondeu:

 “Feliz na tristeza, triste na alegria; essa é a vida da nossa maioria. Por baixo dos panos, de dentro dos trajes; com rios de suor, é um grande ultraje. Buscando a alegria que tanto teima em fugir; a felicidade alheia insiste tanto em punir.”

O palhaço acordou assustado. Maquiou o rosto, botou o batom na boca, vestiu o seu traje largo e colorido, as grandes luvas sobre as mãos, calçou os enormes sapatos, colocou o sorriso no rosto e, por fim, a bolinha vermelha sobre o nariz... Sem conhecer a maldição que o faria infeliz.

Em seu rosto havia o riso que disfarçava a lágrima e com ele, saiu de casa.

Chegou à rua olhando diretamente para as sinaleiras, os seus aplausos logo se tornariam buzinas grosseiras.


"Eles riram de mim"

Por : Eduardo Heldt Urban

Eduardo, com cinco anos de idade, cursava a 1ª série do Ensino Fundamental em uma escola católica. Como de praxe trimestral, ele e seus coleguinhas foram convidados para subirem as escadas para irem à sala onde se encontrava a estatua da Santa Ave Maria, para rezarem e, na prece, pedir aquilo que eles queriam para as suas vidas.
Os colegas de Eduardo pediam quase sempre as mesmas coisas:
“- Quero passar de ano...”- diziam uns.
“- Quero o bem da minha família...” – diziam outros.
Até chegar a vez de Eduardo (qual quebrou esse tabu de mesmices) fazer o seu pedido e, como uma boa e inocente criança sonhadora, ajoelhou-se sobre a estátua e rezou pedindo:
- Quero ser uma Tartaruga Ninja de faixa roxa...
No momento em que Eduardo terminou sua prece um tumulto formou-se pela sala debochando dele, logo começou a chorar vendo que seu sonho não passava de uma piada.
“- Que idiota!” – caçoavam uns.
“- Bebezinho chorão!” – caçoavam outros.
A raiva subiu-lhe a cabeça, mas tudo o que ele conseguia fazer era chorar e pensar sobre os prantos:
- “Um dia ainda realizarei o meu sonho...”
E esse dia chegou, Eduardo mais do que nunca honrou a criança que há dentro dele e virou, de uma vez por todas, uma Tartaruga Ninja de faixa roxa.



Fotos por Alessandra Luz: https://www.facebook.com/alessandraluzfotos?fref=ts

a OUTRA volta do parafuso

Por : Eduardo Heldt Urban
Imagem de domínio público

Pássaros-pracinha sem aviões com turbo dimensões
Derivados do leite que nem todo mundo hoje toma[...]
As coisas mudam (?) sem simetria em um mundo de cordão
Os buracos de minhoca sugam e nos regridem sem motivo
Um para-choque de motoca me impede de beber água do rio
"isso vai mudar" eles me disseram
[...]mentira

Se é só pra "mim" entender que o índio quebre a perna
No dia de hoje eu lhes ensinei a fazer arte moderna


Discussão

Por : Eduardo Heldt Urban
Ilustração de Loui Jover: http://www.saatchiart.com/louijover

Saiu da sua boca em um tom patético
Duas palavras que ele leu na página
Em sua voz entonando a própria dúvida
E a tremular o som que saía como êxodo
Seria engraçado se não fosse trágico
Não entendo o que diz pela sua fonética
Quando questionado já responde rápido
E tenta se afogar em um suspiro último

Quando discurso em um tom amável
Vem se metendo como se fosse o júri
E aponta sua palavra igual a um lápis
Com respostas divulgadas de um jeito ímpar
A fera precisa ser acalmada para ficar dócil
Quando fecha a boca é similar à bênção
Mas retoma a divagar de forma lamentável
Novamente da sua boca se espalha o vírus

Vou eu de novo retrucar de forma cortês
Mas logo sou pego e caio no efeito dominó
De alguém que mal sabe falar o português
Que nunca fez alguém tirar o chapéu
E não para em momento algum de citar seu herói
De suas palavras ele mesmo se torna refém
Então paro e digo: “é assim que se constrói”
Ele se cala como um rato quando o queijo rói

Com a sua lágrima tudo acabou de jeito mágico
Minhas palavras lhe deixaram estéril de maneira fácil
Agora sentemos, vamos tomar um café, eu pago para você.

Generosidade

Por : Eduardo Heldt Urban
Foto por carol beckwith and angela fisher: http://carolbeckwith-angelafisher.com/

“Não persista no mesmo erro
Não mantenha a mesma estratégia
Crie soluções e faça ao erro um enterro

Faça da perseverança tua régia
Crie outras soluções para um só problema
Faça de diferentes opções um só sistema


Aprenda com os erros e alcance a excelência”

Inescrito

Por : Eduardo Heldt Urban
Arte de Jackson Pollock

É muito difícil descrever o que sinto
O que senti no passado ou neste momento
É inexpressivo em palavras, não minto
Não expresso na fala ou no pensamento
O sentido é vago, nada, nem vezes, sucinto

Por fim, o que posso falar é: o sentimento
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Recado à Rá

Por : Eduardo Heldt Urban
Autor da arte desconhecido 

Provou ser digno de mim o respeito
Deixo a ti esse novo Sistema perfeito
Lidere com sabedoria, faça bom proveito
Só não esqueça de mim e de seu novo feito

A ti deixo instaurada a minha vontade
Estampe em tua face somente a bondade
Não deixe as trevas consumirem-te com deslealdade

Pois é deles, dos maus, que devemos ter pura piedade.
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Dia de Formatura

Por : Eduardo Heldt Urban
arte por Christine YK Chong 

Gire mundo, gire!
Comparem-me a pessoas vazias
Coloquem-se em meu lugar
Calar-vos-ia minha mão
A um momento como esse, melhor não

Celebrações vão ocorrendo

Perto do lugar donde venho estar
Gloriosa homenagem que prestei aparecendo
E a falta de ética faz-me parar

Junto as lágrimas caídas sem mais tempo
Era esse o meu dia, terminou-se me deixando
Junto as lagrimas caídas, nem eu sei se mais agüento
Palavra por palavra, odiei ser um formando

E eu achando que o mundo era pequeno
Vejo como é grande por dentro
Agora sinto como nunca senti
O peso do meu corpo sobre mim

Sozinho aqui não me sinto mais só
Mas como hoje não sentiram dó?
Do pobre choro calado na voz
Sem falar nada preso a um nó

Sem liberdade

Por : Eduardo Heldt Urban
Imagem tirada de um site de vendas de gaiolas: http://www.birdcagecentral.com/grande-dometop.htm

Um pássaro em verde e amarelo está preso em uma gaiola
Até que seu dono lhe mostra um cutelo e uma pistola

O sangue que flui no corpo, orgulhoso do carmesim
Exigindo um prisioneiro, seguindo instintos assim

Lugar de silêncio, sombras em movimento
Sem nenhum desdenho, num futuro tingido pelo sangue fresco

A vida arrogante está sentindo o gosto da solidão e da eternidade
Deixe de molho o desejo que se espalha pelo corpo de verdade

 Gotas vermelhas sobre meus lábios gananciosos caem no chão congelado

Eu beijei pela última vez a pessoa que eu mais amo, num cenário enfeitado

Coração Rubi

Por : Eduardo Heldt Urban
Imagem de domínio público

O Vermelho na forja onde nosso amor foi criado ficou mais forte
Não foi efêmero nem falso, somente reminiscência e não sorte
As chamas ofuscam sem fervor, lapidando dois corações de rubi
Onde na estreita prisão corpórea duas almas se encontram por ali

Os olhos remetem divinas lembranças já vividas antes
Em uma vida passada onde esses dois seres foram amantes
Não sobram dúvidas que as flechas de Eros não são errantes
Conduzidos pelo vento Zéfiros, no céu bailam irradiantes

Agora os dois tornam-se um só, não acreditam que seu amor virará pó

Guiados pelo mesmo caminho, pela mesma voz...

Velho Filme

Por : Eduardo Heldt Urban
Imagem de domínio público


Fora de controle, dois olhares se cruzam, o som do medo perturba seu coração
Celas tremem com prazer, debaixo do peito, deixara tudo e caíra em tentação
Manipulados pelo mesmo sentimento, mesmo ideal e pela mesma pulsação
Tragado num espaço sem sentido e sem cor, eu me rendo a sua aparição

Estenda suas asas invisíveis quando fugir, mas faça o que queres e me leve junto
Cubra-me com seu amor, suas carícias, seu afeto e alegria, tudo em um mesmo conjunto
Tantas vezes, falamo-nos durante horas, lágrimas escorrem sem fim sobre o mesmo assunto
O som que reflete do nosso olhar, a força que ele transparece faz parecer grau disjunto

Pelo desconforto que és forçada a passar, durante essa chuva cortante que o céu chora
Pela manhã após a chuva, eu vou pular nas poças, espero a noite do dia em pé desde agora
Um beijo que sela nosso laço, entrega-se de braços abertos para a dor da noite outrora
Meio século de carícias, infinitos beijos, os amantes não tem motivos, mas é lindo como a aurora

O ressoante som do projetor preenche um quarto entregue a dois corpos e uma cama
Versos logo tomam conta dali também, os mais belos e verdadeiros deles avisa que te ama
Tu e eu sorrimos em um velho filme. O casal daquele tempo faz o verdadeiro amor que a ti chama
Lágrimas se espalham para todos os lados e promessas são feitas, lindas como o velho drama

Dois corações batem melhor do que um só...
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Chuva de Rosas

Por : Eduardo Heldt Urban
Arte de Carole Arnston: http://www.carolearnston.com/

Uma chuva de rosas se aproxima
Um céu colorido, basta olhar para cima
Algo novo, logo um mar de gente se espalha
Mas não contam em sentir os espinhos como navalha
Uma massa vermelha se espalha por ali
A rua tingida em escarlate, a cena mais viva que eu já vi
É inevitável fugir, a tempestade nebulosa tomou conta
Rosas e mais rosas caem do céu e vida a vida se desmonta...

À mim

Por : Eduardo Heldt Urban
Autor da ilustração desconhecido

Eu escrevo a mim mesmo
Pois a mim não compreendo
E a mim que a escrita faz conhecer
Então cabe a mim, escrever ainda mais
Pois é dever meu conhecer a mim
E não julgar quem a mim julga
Porque àqueles que a mim julgam
Hão de conhecer a mim também

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