Portrait Of A Dead Man, Damien Mammoliti

Dia 26:

Já eram 06:30 da manhã daquele dia? O  despertador acabara de tocar e o investigador Paulo não lembrava mais da última boa noite de sono que tivera e desde que ele e seu companheiro, o comissário Gomes, pegaram o caso dos suicídios as suas noites de sono só estavam piorando. Não se sentia bem há dias.
Tentou lembrar da sua última boa noite de sono, mas ele só acabava pensando nas noites que tinha passado com ela... Adriana. Lembrou do quanto suas noites eram tranquilas ao seu lado. Sentia saudades daquele tempo.
Paulo levantou da cama com a cabeça pesando de sono, pesava muito mais do que quando ele tinha ressaca. Vestiu sua roupa, a mesma que usara ontem durante a investigação, ainda fedia a cigarro. Foi no banheiro e só jogou água no rosto, para ver se a dor de cabeça passava. Não passou.
Foi batendo pernas até o seu trabalho e no caminho fumou três cigarros. Ao entrar na sala de Gomes, seu chefe falou sem nem ao menos olhar para a sua cara:
- Você precisa maneirar no cigarro, Paulo. Isso vai acabar te matando.
- Minha cabeça ta me matando, cara.
- Quer tirar o dia de folga?
- Você está louco? Mais duas pessoas, no mínimo, devem ter se matado aqui na região.
Gomes olhou para o amigo com pesar, ele sabia que era verdade. Não houve tempo mais sombrio do que esse durante a sua vida. As pessoas estavam se matando sem motivo aparente há quase um mês. Todos os dias! E o que era mais engraçado, todas elas deixavam algum tipo de aviso em comum: “O sentido da vida”.
- Achou algo do “sentido da vida” ontem? – indagou Gomes, coçando sua barba ralada.
- Ah, sim. – Paulo respondeu já tirando dois bilhetes do bolso. – Os dois casos de ontem tinham bilhetes que falavam sobre isso.
- Deixe-me analisá-los.
O investigador entregou os bilhetes para o Comissário e saiu de lá para fumar, mas antes disse:
- Sabe, Gomes... eu andei me lembrando da Adriana e...
- Poxa, é sério isso, Paulo? Aquela vadia só acabou contigo, cara!
- É... é isso mesmo...
Então Paulo saiu da sala do comissário de uma vez por todas, ainda pensando na Adriana e com o cigarro entre os dedos.
- Paulo, vem aqui! – O investigador ouviu Gomes de sua sala. Apagou o cigarro e foi até lá.
- Achou alguma coisa, Gomes?
-Ah, não. Os bilhetes não falam nada com toda essa poesia, mas acabou de acontecer de novo. Vá em direção do centro, eu te passo o endereço certinho via Whatsapp.
- Tudo bem, comissário.
Paulo foi a passos largos em direção ao centro e em menos de um minuto sentiu o celular vibrar, Gomes já havia lhe mandado o endereço. Ele foi até o endereço solicitado.
Chegando lá, em uma casa com o pátio grande e com diversas viaturas a frente ele não hesitou em entrar. Mostrou o distintivo para os colegas e não precisou analisar em nada para saber que o suicida havia usado a espingarda que estava caída ao lado do corpo com a cabeça explodida. Paulo olhou pela casa em busca de um bilhete, revirou as gavetas, procurou nos lugares mais inusitados, mas não o achou.
- Com licença - falou à legista que estava examinando o corpo e começou a revirar os bolsos ensanguentados do moribundo.
- Mas o que é isso? – indagou à legista.
Paulo deu um sorrisinho e mostrou o bilhete que estava no bolso traseiro do corpo morto.
- É só isso que eu quero. Podem continuar a perícia.
O investigador saiu de lá esperançoso. Aquele bilhete era diferente dos outros, ele abriu mais uma vez para lê-lo.
“O sentido da vida pode ser vivido por todos nós.
S. A.”
- Esse deve ser o nome da seita desses cretinos. – disse Paulo, já na sala de Gomes, enquanto o comissário lia o bilhete.
- Nah, S. A. são as iniciais do morto: Samuel Altemir.
- Ah, que merda! Nunca vamos saber o que está acontecendo! – lamentou Paulo, chutando uma cadeira.
- Se acalme, deve ser uma moda nova. Esses jovens sempre inventam alguma coisa.
- Pode ser isso, Gomes. Mas eu também não estou muito bem, sabe?
- Cara, que frescura.
- É sério, Gomes. Eu não estou muito bem.
- É por causa da Adriana? Tá saindo de novo com aquela vadia?
- Não, cara. Vai ver é só frescura mesmo.
- É... isso é besteira. Te vejo amanhã no trabalho, Paulo.
- Sim, eu vou ficar aqui trabalhando mais um pouco, Gomes.
- Tudo bem, estou gostando de ver, investigador! Haha! Até amanhã!
Paulo sorriu e tirou a pilha de papéis que havia sobre o caso e botou sobre a mesa de Gomes. Tentou entender o que era tudo aquilo. Ficou horas a fio investigando o caso.

Eram quatro horas da manhã quando o Comissário Gomes sentiu o celular vibrar do lado da cabeceira da sua cama, enquanto dormia. Acordou no supetão com aquilo e viu a tela do aparelho acesa.
“Quem quer falar comigo a essa hora da madrugada?” pensou ele.
Pegou o celular e viu uma mensagem de texto vinda de Paulo, nela só falava o seguinte:
Encontrei o sentido da vida!
Gomes pareceu acordar com aquela notícia e botou a sua roupa o mais rápido possível. Foi ao banheiro e fez tudo que devia fazer com muita pressa. Calçou os sapatos e foi correndo em direção ao trabalho. Em menos de dez minutos chegou lá, mais ofegante do que nunca. Destrancou a porta da delegacia com as mãos trêmulas e abriu a porta de sua sala no supetão, mas ficou em choque com o que viu.

O corpo de Paulo estava no chão, banhado de sangue. Ele havia se dado um tiro na cabeça, a arma estava na sua mão direita e o sangue saía do buraco que perfurava o seu crânio.
imagem de domínio público.


Dia 1:

Já eram quase nove da noite na delegacia da policia civil, quando o comissário Gomez escancarou o pé na porta e assustou o investigador Paulo, qual estava entediado na sua sala jogando paciência na frente do computador:
- O caso é nosso, Paulo! O caso é nosso!
O investigador Paulo estava sentindo o coração quase pular da garganta com o susto que levou, mas tentou manter a calma falando com uma trêmula voz:
- Que caso, Gomez?
- O caso dos suicídios... os federais largaram ele e deixaram pra gente.
- Aqueles suicídios coletivos? Nossa, vamos ter muito trabalho pela frente.
O tom da voz de Paulo era de tédio, mas o comissário apertou os olhos para o investigador e falou com a voz convicta:
- Só nós dois vamos trabalhar no caso, como nos velhos tempos.
O investigador Paulo sorriu ao lembrar-se da época em que Gomez era seu colega de investigação. Desde que foi promovido a comissário, Gomez não tinha mais tempo para um caso, ele só tinha tempo para encabeçar vários.
- E os outros setores? Como ficarão sem você? – indagou o investigador, ainda com a voz trêmula.
- Deixei a investigadora Melo e a escrivã Dias encarregadas, elas saberão o que fazer. Esse caso será só de nós dois, parça.
Paulo levantou-se rapidamente de sua cadeira, que fez um engraçado barulho de peido e cumprimentou de forma épica o comissário Gomez. Os dois se olharam durante alguns segundos, o olhar era desafiador.
- Você será o perito investigador e eu reunirei as informações que você trouxer a mim. Você será o corpo e eu o cérebro, estamos entendidos, Paulo?
Os dois ainda estavam com as mãos dadas, o investigador sorriu e falou:
- Como nos velhos tempos. – o cumprimento logo virou um abraço. – Vou dar o melhor de mim, já fazia tempo que eu queria sair desse muquifo. Sinto como se tivesse sentado a bunda nessa cadeira por anos.
O celular do comissário tocou e ele em seguida atendeu.
- Alô?... Sim, é o comissário Gomez aqui... sim... uhum... sim... hmmmm... ok! Estou enviando minha equipe. – o comissário desligou a chamada, olhou para Paulo e retomou – Já tenho trabalho para você. Vá na quinta avenida, na esquina do posto. Um prédio azul, apartamento 408. Enforcado com um cinto.
- Meu Deus, já é o segundo essa semana... E olha que a semana começou ontem! Tudo bem, Gomez, já estou a caminho.
O comissário assentiu e foi até a sala dele. Enquanto isso o investigador botou a pistola calibre 38 que estava na sua gaveta em seu coldre axilar, encobriu o corpo por um negro sobretudo e tomou rumo de seu novo caso.
Quando saiu para a rua o investigador de pronto acendeu um cigarro e ao tragar a nicotina pensou consigo mesmo: “como eu precisava disso... não sei como sobrevivo trancafiado 8 horas numa sala sem fumar... maldita lei antifumo.”.
Paulo gostava de fazer o trajeto caminhando, pois trabalhava numa cidade pequena e um carro seria desperdício de gasolina e de tempo. Além disso, a brisa do vento litorâneo o fazia pensar melhor.
Dez minutos e três cigarros fumados depois ele chegou ao seu destino. Apresentou o distintivo para o porteiro e subiu até o apartamento 408. Chegando lá viu que seus colegas tinham se dado o trabalho de interditar a área. “Muito bom” ele pensou.
Seus colegas também já haviam partido afinal, o caso era só dele e do comissário. Estava então sozinho no apartamento, ao menos era a única pessoa viva lá. A sombra do defunto se apresentava no corredor, o corpo estava no banheiro.
O banheiro estava bem limpo, analisou Paulo, a única sujeira era no chão um pouco antes da banheira, do sangue que escorria da boca do defunto que estava com o pescoço pendurado por um cinto no Box. O investigador analisou o corpo e não achou nada de anormal, aquilo era um suicídio, sem sombra de dúvidas.  Ao analisar os pés do moribundo (só por via das dúvidas) Paulo não pôde deixar de notar um pequeno pedaço de papel, um pouco molhado, dentro do Box, quase no ralo da banheira.
Paulo retirou duas pinças do bolso dianteiro de seu sobretudo e pegou o papel com elas. Abriu o pequeno papel e uma letra legível, escrita com uma caneta azul dizia ao leitor: “Eu achei o sentido da vida.”.
- Intrigante... – sussurrou para si mesmo, botando o papel num saquinho de evidências.
O investigador fez uma inspeção geral no apartamento e não encontrou nada de relevante nele. Voltou à delegacia com apenas um papel como evidência e com menos seis cigarros na carteira.
- Era só isso que tinha lá? – indagou Gomez, analisando o pedaço de papel com uma lupa, enquanto o manuseava com as mãos, protegidas por um par de luvas.
- Sim.
- O corpo apresentava sinais de lesão, além da cinta que apertava o pescoço?
- Não, Gomez. Foi suicídio, pode ter certeza.
- Eu não quero perder pros federais... Tem que ter algo a mais nisso! – O comissário olhou para Paulo, depois de alguns segundos voltou sua atenção ao pedacinho de papel – É muita gente se suicidando em muito pouco tempo. Alguém está envolvido nisso e eu quero saber quem! Esse bilhete tem a ver com ele, pode ter certeza, Paulo!
- Também achei isso, comissário, mas não havia sinal nenhum de lesão no corpo. De qualquer jeito amanhã teremos resposta do IML , a perícia deles é minuciosa.
- Assim espero, meu caro Paulo... Assim espero. – Gomez sussurrou mais para si mesmo do que para o colega, largou a lupa, tirou as luvas e acenou para Paulo. Aquele dia de trabalho havia acabado. 
Idealist, by Nailone

Talvez seja eu um louco
Em pensar que o atual
Dê a arte algum louro
Como dá ao marginal

Talvez seja eu um louco
Em ainda acreditar
Que o amor aqui tampouco
Possa ainda perdurar

Talvez seja eu um louco
Em tentar berrar assim,
De modo a me deixar rouco,
Para ao roubo por um fim

Talvez seja eu um louco,
Tresloucado até demais
Em pensar mesmo que pouco
Que possamos ter a paz


Foto de campanha contra violência doméstica


Bom, hoje era para ter sido um dia normal. Fui para o centro, junto de meu irmão (que já mora lá) para dar uma olhada nos livros em livrarias da cidade, mas quando nos despedimos e peguei o caminho (a pé) para minha casa percebi algo um tanto quanto peculiar...
Uma mulher e um homem estavam, um pouco a minha frente, cheios de malas e discutindo. Aquilo chamou minha atenção e, como explicar, vocês já viram Sherlock? Quando ele começa a analisar a situação e deduz, de forma lógica, todas as características da pessoa que ele olha e acerta em cheio tudo aquilo que ele acha que essa pessoa é/faz. Esse fui eu observando aquele homem e, como havia falado para meu irmão mais cedo a respeito do jogo detetive, ninguém que eu conheça é melhor no poder da dedução e no raciocínio lógico do que eu.
Então eu reduzi o passo e fiquei logo atrás do casal, fingindo estar mexendo no celular. Minha primeira impressão não me enganou. Olhos vermelhos, tremeliques nas mãos, explosão ao falar e a mão levantada já para largar um sopapo no rosto da mulher. Aquele homem usara crack e agredia a sua esposa constantemente. Mas ele ainda não havia agredido ela, não naquele momento, o que não me deixava fazer nada contra ele. Então, numa região não tão íngreme da calçada, eles fizeram que iam atravessar a rua. Eu atravessei, mas eles não (os meus olhos ainda estavam grudados nos dois). Foi quando aconteceu, o homem (segurando uma caixa de papelão) agrediu duas vezes seguidas o braço de sua mulher. Eu saí correndo em direção a eles no mesmo instante.
Antes de eu chegar até eles, um grupo de três esqueitistas já haviam abordado o homem, falando coisas do tipo: "tu não pode fazer isso", "isso é errado", "pare de bater nela", etc. Eu cheguei até eles e assumi o controle da situação, com os braços para trás e apertando os olhos em uma expressão intimidadora eu fiquei cara-a-cara contra o carrasco, dizendo o seguinte: "Senhor, por que agrediste ela? Chamarei a polícia e o senhor será acusado por Maria da Penha. Temos diversas testemunhas oculares por aqui."
Como eu estava falando em um jeito meio mesquinho e "like a boss" com ele, é óbvio que o carrasco emputeceu: "Não te mete em briga dos outros, guri! Não sabe de nada da vida! Eu tenho o dobro da tua idade!"
Quase na hora eu já respondi que ele tinha o dobro da minha idade, mas nem a metade de minha inteligência. Ele foi pegar a mulher pelo braço, mas eu me pus a frente da oprimida, de braços abertos e não o deixando encostar um dedo se quer nela. Ele ficou ainda mais bravo.
Pedi para os esqueitistas cuidarem dele e eu liguei para a polícia. Disquei 190 e falei com o policial, mas no meio da ligação, distraído e virado de costas para a situação, dei a brecha para o carrasco me apunhalar pelas costas! Os esqueitistas, de certo, não esperavam por aquilo. O homem me agrediu! Pegou pelo meu pescoço e eu, desequilibrado, caí no chão. Mas o braço dele estava ainda sobre o meu pescoço e eu, sem pensar, imobilizei e deixei aquele cotovelo a mostra para um empurrão, que causaria uma linda fratura exposta, mas eu pensei melhor (ainda estava ao telefone) e passei o braço imobilizado para um dos esqueitistas (ele parecia lutar jiu-jitsu pelo estado de sua orelha) e, com isso, ele imobilizou o carrasco no chão (fazendo a cabeça do mesmo sangrar em uma leva concussão, foi lindo de ver) e eu falei para o policial que o homem acabara de me agredir também.
Eu finalizei a ligação com a policia pedindo a viatura rapidamente (coincidentemente estávamos relativamente perto da Brigada Militar da cidade), mas a polícia tardou (até demais) para aparecer.
Enquanto esperávamos a policia, com o homem descontrolado no chão, eu me abaixei (a sua frente) e falei coisas como "Agora que o senhor me agrediu eu também tenho o direito de te denunciar por agressão" e coisas do tipo, mas só para deixá-lo com ainda mais raiva. As pessoas na volta começaram a me chamar, perguntando se estava tudo bem e etc, algumas (surpreendentemente) até sabiam o meu nome, mas eu não sabia o delas. Um cara, dono de uma loja ali perto, queria que os dois esqueitistas que estavam imobilizando ele o soltassem, pois ele sabia que eu lutava TaeKwonDo e queria me ver dar uma surra no covarde. Mas eu expliquei pra esse homem que, além de não ser coisa de se fazer, ainda, se eu fizesse isso, iria sobrar pra mim. Ele assentiu em concórdia.
Aí chegou o momento de eu conversar com a mulher agredida. Pela minha rápida observação eu já supus tudo: ela o temia (muito!) e era muito oprimida. Eu juro para todos e todas vocês que estão lendo: eu tentei, e como tentei! Convencê-la que ela precisava fazer a ocorrência contra aquele canalha. Ela não quis.
Mas a polícia ainda não tinha chegado ao local!
Os esqueitistas soltaram o maluco e ele, na mesma hora, me entorpecendo de ameaças pegou suas malas e foi indo em direção da rodoviária. A oprimida foi atrás e eu tomei rumo, sozinho, junto a eles. Resolvi ligar para o meu pai, a policia não tinha vindo até então e meu pai (policial aposentado) teria de levá-lo até a delegacia. Por bem ou por mal.
Eu liguei para o meu pai, do lado do casal, e pedi rapidez para ele. Pois eles já estavam chegando na rodoviária e aquele homem precisava ser detido!
Quando, depois de dois minutos (no máximo) de caminhada, chegamos a esquina da rodoviária duas motos da polícia se apresentavam e, felizmente, um dos policiais era um velho amigo meu.
Expliquei meio por cima para eles e pedi para que impedissem o homem de alcançar a rodoviária, os policiais assim fizeram. Nisso o meu pai chegou (depois da policia para a alegria do pessoal dos direitos humanos), desceu do carro junto do meu irmão e já foi encher o carrasco de ameaças. Eu estava muito tranquilo, meu pai não.
Bom, durante o interrogatório da policia eles descobriram aquilo tudo que eu tinha deduzido com um olhar. O homem era usuário de crack. Mas a denúncia era por Maria da Penha e, infelizmente, cabia a sua mulher decidir incriminá-lo.
Pela ficha policial do carrasco, ele já havia sido preso e solto (no mesmo dia) por agressão doméstica.
A sua mulher me pedia perdão por ele (um absurdo!) e me explicava a história do porque ele fazia isso (alegava que ele tinha depressão e que eles vieram aqui para a cidade tentar a vida novamente, mas não deu certo) e eu desmereci essa história, pois nada justifica isso. Nem uma guampa na cabeça. NADA! E eu tentei, novamente, juro para todas vocês, mulheres, eu fiz o meu melhor para convencê-la para incriminá-lo, mas a oprimida, de forma veemente, não quis.
Ela apenas acenava negativamente a sua frágil cabeça e, com uma expressão de medo, me pedia perdão pelo seu homem. Eu fiquei enauseado e a encarei por alguns minutos, enquanto ela insistia pelo meu perdão (de um jeito que eu parecia ser o seu Messias, muito assustador, por sinal) e eu não perdoei o homem. A polícia perguntou para a mulher (uma última vez) se ela queria registrar a Maria da Penha e a oprimida, abruptamente, disse que não. As motos da polícia foram saindo com seus policiais montados, de forma imponente, sobre elas e eu, numa última encarada, disse para a mulher: "Boa sorte!" Virando minhas costas e abrindo a porta do carro de meu pai, mas antes de entrar no carro veio um casal que presenciou tudo aquilo (por coincidência eram vizinhos desse casal conturbado) e eles me deram os parabéns. Eu agradeci e disse que apenas fiz meu papel como cidadão de bem.
Meu pai, orgulhoso, já falou para eles que eu era formado em Música, mas que seguia carreira de escritor, que faria um lançamento na casa de cultura da cidade dia 18 de junho. Foi bonitinho.
Eu ainda cuidava o casal na rodoviária, parecia que ela estava protegida. Por enquanto.
Nos despedimos, a mulher, de forma acolhedora, disse que foi uma honra me conhecer. Entramos no carro e cá estou. Mas o que essa história deixa?
Nós sabemos que ela apanhará quando chegar em casa. Nós sabemos que isso não acabara nunca.
Mulheres, eu peço para que não se acovardem! Vocês são mais fortes do que nós! Vocês têm mais poder! A sociedade é machista por causa de mulheres como a oprimida dessa verdadeira história. No momento que não existirem mais mulheres que acreditam que seus homens agressores nunca mais irão lhes agredir, não existirá mais sociedade machista. Está na mão de vocês. Peço também que não sejam como a mulher desse relato e peço, de forma encarecida, para os homens não serem como o carrasco.


Throes of Creation by Leonid Pasternak

O assunto aqui abordado é de extrema seriedade e vem me dando certa repulsa durante o tempo que passo pensando a respeito. Uma vulgarização do título escritor está sendo apresentada para nós, através desses tais pseudo escritores que se auto financiam com suas "editoras" os lançando para o mercado editorial.
Depois do lançamento do meu primeiro livro (Origem do Além) eu comecei a ousar ser um escritor de verdade. Mas "pera lá"! Eu escrevo nesse blog desde 2010 e na faculdade tive aula de escrita criativa com um dos maiores escritores do país, Fabrício Carpinejar. Então, depois de seis anos estudando muito a língua portuguesa, a literatura mundial, a forma da escrita e publicando, depois de muito estudo sobre o assunto abordado, o meu primeiro livro, acho que eu posso, sim, ser chamado de escritor!
Já tentei escrever um livro quando tinha 13 anos (meados de 2008) e é óbvio que não deu certo, eu não tinha bagagem e muito menos inteligência para fazer uma obra eterna. Então, nessa época, eu fui um pseudo escritor!
Mas ser um pseudo escritor aos 13 anos é algo perdoável, pois ser esse cara me deu a humildade de pensar: "esperem, escrever um livro é muito mais difícil do que eu esperava!" e com isso eu decidi ser um "blogueiro" e escrever meus poemas/contos/sonetos/ideias nesse blog. Em 2010!
Então, tudo bem. Vamos falar sobre os verdadeiros pseudo escritores. Aqueles que vem manchando a reputação do escritor brasileiro.
Hoje em dia existem diversas editoras no mercado editorial, mas apenas uma esmagadora minoria, são grandes editoras.
As editoras vem "dando espaço" para novos autores publicarem seu livro. Até aí tudo perfeito, não é? Que editoras legais, pensando nos novos autores que não têm oportunidades em grandes editoras!
NÃO!
Essas editoras cobram um valor absurdo para publicarem o livro desse pseudo escritor (o livro desse cara sequer foi lido por eles) e, se o pseudo escritor estiver disposto a pagar o valor de um carro para lançar o seu livro, eles vão lá e fazem uma revisão péssima e uma diagramação pior ainda, uma capa de qualquer jeito e botam os livros nas livrarias. Só que seguinte: "Os autores desses livros só recebem 10% do lucro de venda de cada livro, ok?"
Eu não sei como existem pessoas que aceitam isso.
Meu agente literário costuma chamar esse processo de "publicação de ego".
É vergonhoso pagar tanto dinheiro assim para as editoras publicarem o teu livro se nem sequer elas veem se está tudo certo com esse. Eu conheço um caso de arrepiar! Uma menina publicou um livro dessa forma, mas toda a tiragem do livro veio sem um capítulo do livro... SEM UM CAPÍTULO INTEIRO DO LIVRO!
...
Ela teve que pagar mesmo assim por isso...
Agora, vamos falar de outro tipo de pseudo escritor. Aqueles que banalizam o título que tantos, assim como eu, lutaram tanto para conseguirem.
Existem pseudo escritores que NUNCA escreveram nada na vida e que falam para ti, escritor: "Que legal que está dando tudo certo pra ti! Eu também sou escritor!"
Daí tu respondes: "Sério? Sobre o que tu estás escrevendo? Estás no final do livro já?"
Então eles, orgulhosos, discorrem imediatamente: "Não, eu tenho toda a ideia na minha cabeça, mas ainda não comecei a escrever"
Depois dessa tu, escritor, comentas, já meio duvidoso: "Hmmm... que legal... e tu tens algum blog ou site onde escreves algo?"
A boca abre, tu, escritor de verdade, já sabes a resposta, mas está curioso para ouvir mesmo assim: "Não, não tenho. Não curto muito..."
...
Como tu és um escritor se tu nunca escreveste nada? É como falar que é um jogador de futebol, mas está aprendendo a jogar bola. É como falar que é mestre de uma arte marcial, mas que está pensando em começar a fazê-la!
Por favor, parem com a banalização desse merecido título. O dia que tu escreveres ou publicar (sem ser uma publicação de ego, por favor) algo deveras grandioso, que dá para ver um certo esforço e/ou estudo sobre o assunto, venhas falar comigo sobre teu título de escritor. Então conversaremos trocando ideias, opiniões, críticas e tudo mais! Seremos colegas de profissão!
Mas, se tu continuares banalizando minha profissão desse jeito, tu serás meu inimigo.
Foto de Maicon Silveira do evento do lançamento de Origem do Além

Essa história começa em 2007, quando tentei escrever meu primeiro livro, eu tinha 13 anos e é lógico que não deu certo! Mas o que é tão importante nisso? Eu escrevi mais de cem páginas e descobri o prazer da escrita.
Depois dessa experiência comecei a prestar mais atenção nas aulas de português e literatura, e, com isso, descobri o fascínio que eu tenho pela história da literatura mundial e pela língua portuguesa. Durante três anos eu passava incontáveis madrugadas tentando escrever histórias e escrevendo poemas e tudo isso me deu uma ideia: "e se eu fizesse um blog para postar meus poemas?"
Dessa ideia surgiu esse site! Em novembro de 2010 eu fundei o blog Eve Zel e publiquei meu primeiro poema publicamente, chamado Virtuoso.
Foi nesse mesmo mês que me surgiu a ideia para um livro, mas esse precisava ser O livro.
"E se eu escrevesse um livro que os protagonistas fossem os doze signos do zodíaco?"
Essa ideia me intrigou e eu levei muita fé nela. Foi nesse mesmo momento que eu comecei a estudar astrologia feito um louco, mas apenas estudar não era o suficiente. Eu precisava de uma iniciação.
Nesse mesmo mês (novembro de 2010) eu comecei a escrever os sonetos dos signos, decidi fazer na ordem do zodíaco mesmo. Áries foi escrito em novembro de 2010 e Peixes foi escrito em agosto de 2013, finalizando assim essa inicialização de minha ideia. Notem que durante esse período eu não publiquei mais nada aqui no site, a não ser os sonetos que foram vindo, de pouquinho em pouquinho. Isso demorou tanto por uma série de fatores, incluindo trabalho, compromissos e faculdade (e mais compromissos...). Chegou um momento que eu disse a mim mesmo "chega" e recomecei a escrever os sonetos. Terminados esses Sonetos eu poderia começar a pensar em escrever o livro. Assim o fiz.
Quando comecei a escrevê-lo uma série de influências filosóficas e místicas começaram a influenciar-me, pois eu estava muito envolvido com esses temas na época, lia coisas muito pesadas para um jovem de 19 anos compreender, mas eu me esforcei para entendê-las e isso gerou um resultado fantástico para minha obra.
Assim foi criada a cosmologia de Origem do Além.
Uno é uma ideia de Giordano Bruno, o pai da astronomia, qual me inspirei! Essa figura de Deus é tão mais poderosa e sincera do que as que conhecemos.
Por conta disso tudo, essas influências e tudo mais, Origem do Além se tornou uma história totalmente diferente do que tinha planejado em 2010 (ainda bem!), ao invés de ser um romance épico, com guerreiros humanos encarnados nos doze signos do zodíaco eu dei um motivo para a astrologia ocidental e o zodíaco existir em meio de uma vastidão cosmológica rica em detalhes e em mitologia própria.
Eu apenas tinha o final na minha cabeça quando comecei a escrever o livro, mas, minha gente, essa escrita fluiu feito água e a história foi se desenvolvendo conforme eu ia escrevendo, eu gosto de dizer que Origem do Além se escreveu sozinho, eu fui somente um canal.
Tá, sem mais enrolação, um ano depois, no final de 2014 o livro ficou pronto (sim, ele demorou um ano todo para ser escrito, pois eu quis deixá-lo perfeito para mim e para os meus leitores).
Ah, já ia me esquecendo de falar sobre isso, lembram daquele meu livro que eu comecei a escrever quando tinha 13 anos? Pois é, eu queria um ilustrador para ele, e esse ilustrador morava na mesma cidade que eu, Capão da Canoa. O nome desse artista é Izi Molina e eu sempre admirei o trabalho desse cara (na época boa parte do trabalho dele estava exposto na Casa de Cultura aqui da cidade).
Enquanto eu escrevia Origem do Além eu resolvi que o livro precisava de ilustrações, então quem decidiu fazer parte dessa história? Ele mesmo, Izi Molina! Fechamos a minha tão sonhada parceria e embarcamos juntos nessa história.

Eu e Izi juntos no lançamento de Origem do Além, foto por Maicon Silveira.

Terminado o livro e as ilustrações, fiz a primeira revisão do livro com a revisora Maiara Rodrigues e logo mandei o livro para a Biblioteca Nacional, para ter, oficialmente, o direito autoral da obra e das ilustrações.
Alguns meses depois recebi o aviso de que agora, oficialmente, eu obtinha os direitos autorais de Origem do Além, então fui para a parte mais chata da história: as editoras.
Comecei um mutirão de e-mails incansáveis atrás de grandes e pequenas editoras e, gente, não recomendo vocês ficarem tão esperançosos em obter uma resposta boa de editoras, quanto eu fiquei. Eu mandava e-mail todos os dias. Na boa, devo ter mandado e-mail para todas as editoras do Brasil! E vocês acham que eu obtive resposta das editoras grandes? É claro que não! Quer dizer, até recebi respostas, mas falando que os catálogos estavam cheios até 2019 e que eles não queriam arriscar em novos autores nacionais. E quanto as editoras pequenas? Elas responderam? É claro que responderam. Quase que abrupta e prontamente, inclusive. Mas por que eu não fechei parceria com eles? Isso é simples:
Dinheiro, muito dinheiro para lançar um livro.
Depois de um ano inteiro atrás de editoras e com respostas insatisfatórias e logradoras eu resolvi ir atrás daqueles que fazem todo esse trabalho: Os agentes literários.
Bom, resumindo para vocês, uns três agentes queriam agenciar a obra (porque, de fato, eles leram ela) e uma agência quis cobrar para fazer a avaliação do livro (não caiam nessa, isso é furada!).
Logo após uma vídeo conferência eu decidi fechar o agenciamento com a AZO e resolvi que lançaria o livro de forma independente (para tentar assim, através da repercussão do livro, fazer as editoras virem atrás de mim).
Foi um trabalho de mais ou menos um ano também. Toda a parte de diagramação do livro, capa, montar o site, fazer o book trailer e tudo o mais que se possa imaginar! Depois de muito esforço e muita luta chegou o dia.
O dia do lançamento de Origem do Além!

Lançamento de Origem do Além, foto por Maicon Silveira.

Para o lançamento eu fechei parceria para lançar o livro em um pub em Porto Alegre (acreditem, eu tentei fechar parceria com livrarias, mas, para vocês terem noção, eles pedem 50% do valor do que tu vendeste no lançamento para eles e ainda mais exigências absurdas!) e, chegado o dia 30 de abril de 2016 (dia do lançamento) eu e minha família fomos para Porto Alegre, para o lançamento de meu livro!
Além do lançamento eu resolvi fazer algumas coisinhas diferentes, tipo fazer uns posteres para aqueles que comprassem o livro no dia e resolvi fazer três marcadores de páginas diferentes, para ter exclusividade do signo no marcador. Além disso, resolvi levar cosplayers para o evento, é aí que entram as especiais figuras de Giu (Áries), PIME (Leão), Camila (Virgem) e, é claro, minha noiva Danielle (Touro).

Criaturas e criador no lançamento de Origem do Além, foto por Maicon Silveira.

Bem, dito isto, o lançamento do livro foi um grande sucesso! Além de amigos e familiares haviam pessoas que foram para o lançamento somente para adquirirem o seu exemplar (tamanha foi a divulgação que fiz pré lançamento). Pessoas totalmente desconhecidas de mim, mas que se maravilharam perante a história única que é Origem do Além.
Mas a lição que fica é a seguinte:
Ser escritor não é algo fácil, é muito mais difícil do que ser a maioria das coisas. Ser um escritor não é só "estou escrevendo um livro, cara". Não! Ser um escritor requer escrever todos os dias, por anos, para assim, ficar preparado para arriscar uma grande obra. Requer estudo, muito estudo. Anos de estudo! Ser escritor não é um dom, assim como ser qualquer coisa. Ser um escritor é ter força de vontade o suficiente para fazer a si mesmo um escritor de verdade. O meu trabalho para ser um escritor não começou com Origem do Além. O meu trabalho para tentar ser um escritor começou quando resolvi criar meu blog e tornar público muitas coisas que escrevo e escrevi. Isso é ser um escritor. A vontade te faz um escritor. O teu dom não cairá dos céus, o teu dom é moldado por ti mesmo!
No final das contas, o lançamento de Origem do Além foi um enorme sucesso. Livros estão sendo vendidos, todos os dias, para todo o Brasil!
Ele ainda não está nas livrarias, mas, tenho certeza, que com tua ajuda, isso será possível!
O livro pode ser comprado aqui.
Vamos fazer história juntos!

Todo mundo feliz com os seus exemplares no lançamento de Origem do Além, foto de Maicon Silveira.





Essa seria a abertura:





Book Trailer oficial do livro Origem do Além, criado pela Azo. Para mais detalhes acesse: http://evezel.azo.com.vc/


Então, pessoal. Resolvi disponibilizar para todos a trilha sonora completa do jogo Origem do Além!
Nessa madrugada finalizei o jogo e a trilha. Logo mais divulgo o jogo para download gratuito.
O jogo possui dezessete músicas originais e uma música padrão do sistema RPG Maker, (o qual não se encontra no vídeo, pois a música não é minha!) totalizando dezoito trilhas ao longo do jogo. O game vai ser curto, no máximo uns 50 minutos de gameplay, então tive que usar muitas notas na música para elas não soarem de maneira enjoativa.

É isso, ouçam, opinem, compartilhem e o mais importante: curtam ao máximo essa experiência!

Imagens exclusivas do jogo Origem do Além:








Como pode ser visto acima o jogo conta com um sistema de escolha de grupos e é o jogador quem escolhe o grupo com que quer jogar, inclusive, ao longo do jogo pode-se trocar de grupo, (trocar um membro ou até todos os membros) o jogador é quem faz o jogo acontecer da maneira dele.




Diário do caso Dedé

"24 de agosto de 2015

A coisa mais misteriosa do mundo, eu acho, é a mente humana e a sua capacidade de correlacionar todos os conteúdos criados, imaginados e já sabidos em uma única pensada. Acho engraçado o quão longe chegamos com uma história dessas criadas por um e espalhada por outros, começamos em meio a uma grande nuvem densa de branquidão. Aos poucos a nuvem vai escurecendo, os raios reverberando, nos deixando confusos, logo ricocheteando uns nos outros, nossa nuvem já não pode ser mais vista, pois já estamos em meio à tempestade. É assim que está essa situação.
Meu nome é Baltazar Goes e sou um detetive particular, fui contratado por uma mulher chamada Sônia que perdeu o filho em uma floresta, perto do lugar onde vive. Ela me disse que a polícia tentou achar o menino, mas que eles ainda não voltaram da floresta também, já fazem dois dias que os policiais partiram em busca do menino. Falando nisso, o filho de Sônia não foi o primeiro a desaparecer, segundo ela, outras duas crianças desapareceram antes na região florestal o qual seu filho também segue perdido.

25 de agosto de 2015

Bem, acabei de embarcar no avião daqui da capital até o interior para achar o menino Benjamin, filho de Sônia.
Ao chegar no interior já faço reserva em um hotel caindo as pedaços que fica próximo da casa de minha nova cliente. Depois de fazer o check-in, vou até a casa dela.
Cheguei até a casa de Sônia. Conversamos. Algo parece estar errado com essa mulher. Ela treme ao falar do “monstro” que levou seu menino para longe, mas que ainda tem esperança de acha-lo, por isso me contratou. Eu não posso fazer nada para ela a não ser falar que vai ficar tudo bem.
Peço o endereço das outras famílias que também perderam seus meninos, felizmente as duas casas são vizinhas e não demoro muito até achar uma das famílias.

O menino Francisco

Essa é a casa da família Lacerda, o qual perdeu o seu filho Francisco, há aproximadamente seis dias (com base no que Sônia me informou). Chego até a porta e toco a campainha. Quem abre a porta é um homem loiro, sem camisa e com uma saliente barriga com marcas vermelhas de recém coçada. Eu me apresento e ele apenas fala pra mim: “Nós já perdemos a esperança, seu detetive, nosso querido Francisco está agora nas mãos de Deus.”. Eu presto minhas condolências e depois disso peço uma pista, alguma ultima palavra, onde o menino disse que ia, algo assim. O homem me responde: “Bem, segundo a mãe dele, minha esposa, Francisco disse que iria brincar um novo amiguinho, depois disso ele nunca mais voltou. Logo o da Sônia também desapareceu e as investigações da polícia começaram, mas os homens fardados também não voltaram. Depois disso eu nunca mais saí de casa, quem faz as compras agora é minha esposa, hehe”.
Eu agradeço a ele e parto para a outra casa, torcendo para que a próxima família tenha mais pistas do que esse homem covarde.

O menino Pepe

Essa é a casa do outro menino desaparecido, o tal de Pepe, que era o melhor amigo do Benjamin.  Algo estranho aconteceu no caminho da casa da família de Francisco até essa casa, senti que alguma coisa vinda da floresta me observava. Será que estou vendo muita TV?
Bom, o que importa é que cheguei até a casa de Pepe, uma casinha humilde com uma caixa de correio com o nome Veiga estampado logo na frente. Eu bato na porta. Uma mulher negra, com grandes e volumosos cabelos crespos abre a porta, ela pergunta o que eu quero. Meio na defensiva eu me apresento. Ela pede para que eu entre na casa.
É uma casinha com poucos bens, mas muito bem arrumada e com o suficiente para sustentar uma pequena família. A mulher (o nome dela é Diana) pede para eu sentar, eu assim o faço. Ela senta a minha frente e começa a falar sem parar do seu filho Peterson, diz que ele desapareceu logo após o filho de Sônia, que Pepe e Ben eram inseparáveis, e que Pepe sentiu-se responsável pelo sumiço de seu amigo, pois não estava junto a ele no dia, então partiu (escondido, é claro) floresta adentro no meio da noite. Diana começa a chorar, eu digo com segurança que vou achar os meninos. Pergunto para ela se Peterson e Benjamin tinham feito um novo amigo. Ela me responde que sim, um dia antes do desaparecimento de Ben. Pergunto se o amigo novo tinha um nome, mas Diana não soube me responder o nome do garoto. Deixo a casa humilde da família Veiga com um aceno a senhora Diana, de fato o jeito que essa mulher falou tocou comigo, sinto-me no dever de achar as crianças.
Volto para o pequeno hotel, pois a noite já está mostrando as caras por aqui.

26 de agosto de 2015

Acabo de acordar e já não vejo a hora de comer aquele Brunch delicioso que só os hotéis sabem fazer. Bem, não foi o que aconteceu nesse hotel. Somente um copo de leite e uma fruta a livre escolha entre maçã, abacaxi e banana. Pergunto ao atendente se posso falar com o gerente, ele abruptamente diz que sim e sai à caça de seu patrão. A gerente logo chega, sim, uma mulher, e uma mulher muito bonita ainda por cima. Morena de profundos olhos castanhos e com o corpo que somente uma brasileira poderia ter. Pergunto a ela o porquê do brunch ser tão pobre e ela apenas me diz: “Não podemos sair daqui com um monstro a solta”. Eu pigarreio um palavrão e vou até a casa de minha cliente. Lá pelo menos terá um bom café da manhã.
Quando entro na rua das casas próximas a de Sônia, noto que existem quatro casas no quarteirão. A de Sônia, a da família de Francisco, a da família de Pepe e uma outra casa, também muito simples, mas com musgos por toda sua volta, talvez tenha sido por isso que não a vi ontem, parece estar camuflada próxima as florestas que habitam em frente a esses lares.
Bom, sem mais delongas chego até a casa de minha cliente. Ela, apreensiva, abre a porta e diz que já me esperava com o café da manhã já pronto. Eu entro na casa de Sônia e vou direto na mesa, que falta de cortesia a minha. Vendo esse meu erro já adianto a minha cliente de que hoje farei o trabalho de campo. Entrarei na floresta para achar os garotos. Ela me diz para eu tomar cuidado com o monstro que lá habita. Eu sorrio e saio, depois de encher a pança com café e pão, atrás de mais pistas.

A casa imunda

Bom, antes de tudo vou até essa casa coberta de musgos, ver se tem alguém (que deve ser muito relaxado) morando aqui. Chego na frente da casa e aquele cheiro de mofo já se entranha nas minhas narinas. Um espirro me sai na mesma hora. Eu bato na porta rústica da casa.
Ouço apenas uma mulher gritando: “Abra a porta, Sasha!” e a tal Sasha, uma criança, respondendo: “Não mãe, é o monstro querendo me pegar”. Quando Sasha diz isso sinto aquele mesmo frio na espinha de ontem. Eu olho subitamente para trás, até a floresta, para ver se tem mesmo algo me olhando, talvez meus olhos tenham me enganado, mas pareceu que um pequeno vulto se escondeu atrás da árvore quando olhei para lá.
A porta abre, uma mulher loira de olhos azuis, muito branca mesmo, e com um cheiro meio azedo me recepciona.
“O que que tu quer?” Ela me pergunta.
Eu respondo com uma cordial apresentação e ela me diz logo de cara que talvez sua filha Sasha possa me ajudar.
Eu sento no sofá imundo da também imunda casa e a criança, meio trêmula, fala pra mim que ela viu o menino que leva a todos na floresta. Ela me disse que seguiu Benjamin no dia em que ele desapareceu, pois ela gostava muito dele, me contou que queria que Ben fosse seu namoradinho. Sasha me explica que se escondeu atrás de uma árvore quando Ben saiu correndo até a floresta atrás do menino chamado Dedé. Ela me diz também que ela voltou correndo para casa depois de ver um enorme flash percorrendo a floresta e o corpo de seu amigo Benjamin caindo no chão. Segundo Sasha é esse brilho intenso que está matando as pessoas, é esse brilho intenso que leva todo mundo na floresta.
Depois do depoimento dessa criança eu cordialmente me retiro da casa imunda da família de Sasha .
Agora eu tenho um nome para o caso. O caso Dedé.
Quando saí da casa dei de cara com a floresta, vi, de longe, um menino loirinho me olhando, escondido atrás de uma árvore. Eu gritei “hey, venha pra cá!”, mas no mesmo estante o menino saiu correndo para o meio da floresta e eu, sem pestanejar, fui atrás da criança. Fui sugado pela tal floresta e conseguia ver o menino lá longe correndo.
Eu gritava para ele parar, mas isso só o fazia correr mais e mais. Até que eu caí, tropeçando num galho. Quer dizer, eu achava que era um galho, mas era o corpo de um policial, medi a pressão cardíaca já sem esperança, pois o moribundo estava mais branco do que papel e a boca mais preta do que carvão. Sem sombra de dúvidas aquele homem estava morto.
Antes que escurecesse novamente eu voltei para o hotel, pois tinha adentrado demais na mata e não sabia direito como sair. Quanto mais eu andava, mais eu sentia que a criança estava atrás de cada árvore me observando atentamente. Eu não olhei diretamente para ele, pois estava com muito medo. Por sorte eu saí de lá antes do anoitecer.
Fui até o hotel e jantei um péssimo feijão e arroz antes de dormir.

Hoje

NÃO OLHE DIRETAMENTE NOS OLHOS DELE!"

- Olha só isso, cara. Essa última parte do diário de Baltazar parece ter sido escrita com terra.
- Sim, e parece ser a mesma terra daqui da floresta.
- Por que você acha que só tem isso escrito aqui?
- Nossa, cara! Você não raciocina, não? É óbvio que esse tal de Dedé pegou o Baltazar e a causa da morte seja olhar diretamente nos olhos da criança.
- Ah, desculpe, sabe tudo. Mas eu sou cético quanto a isso até que me provem o contrário.
- Você ouviu a mulher, já faz tempo que ela contratou o Baltazar para esse caso. Ela queria deixar quieto, mas ainda tem esperanças de achar o filho. Vamos dar o nosso melhor para que achemos o corpo, pelo menos.
- Quanto você acha que nós andamos aqui na floresta?
- Não sei direito, há muitas horas, com certeza. Já está anoitecendo e minhas pernas estão pedindo descanso.
- Hey, olhe só para aquilo.
- Meu Deus! Uma pilha de corpos, são as vítimas de Dedé, com certeza!
- Vamos nos aproximar dos corpos.
- Que loucura! Estou com medo!
- Não precisa ter medo, vamos resolver isso de uma vez. Pegamos o corpo do pequeno Ben e vamos até Sônia.
- Mas estão todos decompostos!
- Que se foda, venha aqui comigo!
- Tá bom...
- Deve ser esse corpo aqui, é menor que os outros e o cabelo é ruivo como o da mãe.
- Hey, o que é aquela luz ali longe?
- Não olhe! É Dedé! Não olhe!
- Ah, meu Deus, eu não consigo! Ele está me olhando! Salve-se!
- Meu Deus, seu corpo está espatifado, não era pra você ter olhado para ele! Eu falei! Estou com medo agora! Estou fechando meus olhos. Só abrirei depois de não sentir mais nada!
...
- Ai, parece que ele se foi, Por que estou falando só? ...Vou abrir meus olhos agora.


Dedé olha para você.
Tom wants to die by Nutty-Nutzis

Não levem o título ao pé da letra, minha infância não foi chata. Foi muito divertida... É só que... Eu era uma criança muito chata, levava tudo ao pé da letra, era muito sério, não gostava que zombassem de mim e, principalmente, pensava demais!
Eu era uma criança estranha.
Via sempre os mesmos desenhos no Cartoon Network e, por exemplo, quando passava Tom & Jerry eu gostaria de ver o Tom levando uma melhor (mesmo já sabendo todos os episódios de cor e com ciência que o Jerry ganharia o dia) divagava comigo mesmo: "Por que o Tom tem de sofrer tanto? Quem começou tudo isso foi o Jerry! Por que ele sempre leva a melhor se ele quem é o vilão da história?". Outro exemplo é enquanto via Papa-léguas e Coiote e pensava durante todo o episódio: "Por que o Coiote, ao invés de comprar todos esses produtos Acme, não mata a fome comprando comida?"
Dissertava comigo mesmo, divagando, por horas, jeitos alternativos de terminar aquilo tudo, sem que ninguém sofresse. Achava mais de mil alternativa em minutos. Não importa no quê. Filmes, desenhos, seriados, livros, histórias em quadrinho. Onde havia uma história, eu procurava um final melhor, que apetecesse a minha mente infantil e inocente.
  Eu achava muito injusto o que esses roteiristas insensíveis faziam, talvez seja por isso que hoje eu esteja aqui, tentando levar uma vida do mesmo jeito que eles levavam, através da escrita. Um reflexo da minha infância chata. Talvez para consertar tudo isso que eles faziam? Acho difícil, visando tudo o que escrevo ultimamente, sempre triste, com um fim não tão justo e, às vezes, injusto.
Eu acho que eu virei um deles e que, dessa vezes, o aluno superou seus mestres.
Self Portrait: The Other Side of the Mirror by InstilleadPhear

O mundo era preto e branco, não existia cor, mal existia vida. Todos os habitantes faziam suas funções e voltavam para casa, não havia interação, não haviam gargalhadas, mal haviam sentimentos. Os cachorros não mais latiam, os passarinhos não mais cantavam, os gatos não mais miavam, pois ali mal havia vida.
Um homem cansado de um longo dia de trabalho retorna para casa, ele quer descansar. Mas algo logo o chama atenção. Uma bolotinha de cor vermelha, que nunca foi notada por ele estava jogada ao chão, naquela vastidão sem cor. Um pequeno pontinho vermelho. Logo o homem pegou essa bolotinha vermelha e colocou sobre o nariz. Ele sentiu a vida novamente. Cores começaram a tomar forma em seu corpo, uma imensidão de cores que mal daria para imaginar, e tem mais! Por onde ele passava, colorido também deixava. Decidiu então dar a volta no mundo.
O homem saiu de casa, e por onde ele ia a vida voltava a existir. Os cachorros voltavam a latir, os passarinhos voltavam a cantar e as criancinhas gritavam sorrindo em sua volta: “Sr. Palhaço, Sr. Palhaço, o senhor é muito engraçado!”.
O Sr. Palhaço não parava mais, ele decidiu colorir o mundo e assim o estava fazendo. Sentia isso, pois agora ouvia até os adultos conversarem, via muitos dançarem, mas o mais importante: os via sorrir!
Depois de quase uma vida colorindo a tudo e a todos ele terminou sua tarefa, pois agora voltara pra casa.

O Sr. Palhaço sentou na sua cadeira, a bolotinha vermelha caiu de seu nariz e ele voltou a ser preto e branco. 
Sleeping giant by juliedillon

Parte 1:

O ano é 3069, os recursos terrestres estão escassos, a tecnologia avançada demais. Grandes colônias lunares orbitam a Terra, como satélites, é onde as pessoas de poder ficam. E eu... sou apenas mais um dos milhares de humanos que definham aqui em baixo.
Estamos com medo, não podemos nem tentar reivindicar o que é nosso por direito: água, frutas, comida. Tudo o que é de melhor vai para eles, os poderosos, donos dos satélites, aqueles que tudo veem... semi-deuses.
Dinheiro não existe mais, esperança também não. Os militares lutam num último suspiro ao nosso lado, pois eles foram traídos também. Tentaram proteger aqueles que hoje riem de nós, em um momento em que ainda havia esperança, onde a esperança era nos mentida pelos que agora estão acima do céu.
Nós estamos tentando viver de forma rural, mas nem assim eles nos deixam viver. Roubam tudo que plantamos e conquistamos. Nossa labuta não é mais de nada.
Os militares estão falando sobre o projeto 30-69 ultimamente, mas eu não sei do que isso se trata.

Parte 2:

Hoje tive mais um dos pesadelos constantes que assolam minhas frágeis noites de sono. Talvez porque isso nunca tenha saído de mim. Essa culpa... essa sujeira.
Meus pais são uma das pessoas hoje poderosas. Eles estão acima de mim. Me deixaram definhando aqui... não porque quiseram, mas sim porque eu quis.
Tentaram me levar para cima, para o seu paraíso sideral. "Vamos fazer parte das colônias lunares no paraíso" ela disse pra mim "Compramos um dos melhores lugares na órbita" ele tentou me convencer, e eu só respondi: Não!
Eles me deixaram sem pensar duas vezes. Eu sorri.
Se o paraíso é onde eles estão agora, prefiro ficar aqui no meu inferno, onde pelo menos tenho dignidade, onde não tiro proveito de ninguém e onde ainda tenho porque lutar.
Enfim, acordei agora e o pouco que rodeei pela base militar ouvi falar em algo que há muito tempo não ouvia: ESPERANÇA!

Parte 3:

O projeto 30-69 é a nossa esperança. Os militares têm esse protótipo gigantesco e humanoide já faz alguns anos, eles só ajustaram algumas coisas, trocaram a carcaça por titânio, alumínio e aço. Para que sobrevoe em órbita tranquilamente. No fim das contas é uma espécie de robô gigante.
O plano em si é muito simples: "Alguém pilota o robô e se joga contra as colônias". O problema do plano é que ninguém quer desempenhar tal papel, pois aqui todos também são egoístas quanto lá em cima... bem... todos, menos eu. Eu me alistei para o projeto. O único voluntário. Agora estou recebendo o treinamento adequado para a execução do plano.
Eu sou a esperança do planeta terra voltar a ser o que era, como nas antigas histórias em que eu lia nos livros.

Parte 4:

Primeira vez que dormi tranquilamente desde que tudo isso aconteceu. Sonhei com a salvação, com um ato de bravura, comigo prestes a mudar as coisas.
Já vou direto para a base militar. Sento na unidade gigantesca 30-69. Os motores estão em propulsão. Decolagem perfeita!
Sinto a pressão quando cruzo a Ozonosfera. Vejo as bases paradisíacas, estão mais próximas do que eu pensava. Os cálculos militares foram minuciosos e perfeitos. Estou colidindo contra as colônias. Não posso conter o choro. Meu corpo todo explode no impacto, sinto-me evaporar.
Apesar de ter morrido eu sei que valeu a pena. Vendo uma estátua minha no centro da capital e as pessoas podendo viver normalmente de novo. Eu estive aqui para fazer a diferença.



De onde eu conto essa história? Do lado de dentro do espelho.


On the rocks, by Sican

Feito de mar, minhas ondas quebram em ti
Feita de pedra, fica no lugar onde bati
Te modelo em formas que gosto de admirar
E tu ficas aí, imóvel, sexy sem ser vulgar

Te trago presentes do meu profundo oceano
Para em ti tocar e me mostrar um grande dano
Algo verde irradia de ti se não me engano
Não te amo mais, pois eu mesmo fui profano

Mas algo grave aconteceu, foi insano!
Roubaram-te de mim, foi um humano
Ele te quebrou com aquela tal de picareta
E te botou a bolos para dentro da maleta

Agora inundo a todos com minha fúria
Eu me sinto só, junto da minha lamúria
Eles te querem para fazer tal respalda
Sinto tua falta, minha querida esmeralda
Sad Clown by dzpal

Cheio de amor e cheio de fogo
Cheio da vida e de todo esse jogo

Cheio de nada e cheio de tudo
Cheio que fico até carrancudo

Cheio de noite e cheio de dia
Cheio o bastante, me dá agonia

Cheio de metas e cheio de meio
Cheio de mais e de saco cheio.