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Projeto 30-69

Por : Eduardo Heldt Urban
Parte 1:

O ano é 3069, os recursos terrestres estão escassos, a tecnologia avançada demais. Grandes colônias lunares orbitam a Terra, como satélites, é onde as pessoas de poder ficam. E eu... sou apenas mais um dos milhares de humanos que definham aqui em baixo.
Estamos com medo, não podemos nem tentar reivindicar o que é nosso por direito: água, frutas, comida. Tudo o que é de melhor vai para eles, os poderosos, donos dos satélites, aqueles que tudo veem... semi-deuses.
Dinheiro não existe mais, esperança também não. Os militares lutam num último suspiro ao nosso lado, pois eles foram traídos também. Tentaram proteger aqueles que hoje riem de nós, em um momento em que ainda havia esperança, onde a esperança era nos mentida pelos que agora estão acima do céu.
Nós estamos tentando viver de forma rural, mas nem assim eles nos deixam viver. Roubam tudo que plantamos e conquistamos. Nossa labuta não é mais de nada.
Os militares estão falando sobre o projeto 30-69 ultimamente, mas eu não sei do que isso se trata.

Parte 2:

Hoje tive mais um dos pesadelos constantes que assolam minhas frágeis noites de sono. Talvez porque isso nunca tenha saído de mim. Essa culpa... essa sujeira.
Meus pais são uma das pessoas hoje poderosas. Eles estão acima de mim. Me deixaram definhando aqui... não porque quiseram, mas sim porque eu quis.
Tentaram me levar para cima, para o seu paraíso sideral. "Vamos fazer parte das colônias lunares no paraíso" ela disse pra mim "Compramos um dos melhores lugares na órbita" ele tentou me convencer, e eu só respondi: Não!
Eles me deixaram sem pensar duas vezes. Eu sorri.
Se o paraíso é onde eles estão agora, prefiro ficar aqui no meu inferno, onde pelo menos tenho dignidade, onde não tiro proveito de ninguém e onde ainda tenho porque lutar.
Enfim, acordei agora e o pouco que rodeei pela base militar ouvi falar em algo que há muito tempo não ouvia: ESPERANÇA!

Parte 3:

O projeto 30-69 é a nossa esperança. Os militares têm esse protótipo gigantesco e humanoide já faz alguns anos, eles só ajustaram algumas coisas, trocaram a carcaça por titânio, alumínio e aço. Para que sobrevoe em órbita tranquilamente. No fim das contas é uma espécie de robô gigante.
O plano em si é muito simples: "Alguém pilota o robô e se joga contra as colônias". O problema do plano é que ninguém quer desempenhar tal papel, pois aqui todos também são egoístas quanto lá em cima... bem... todos, menos eu. Eu me alistei para o projeto. O único voluntário. Agora estou recebendo o treinamento adequado para a execução do plano.
Eu sou a esperança do planeta terra voltar a ser o que era, como nas antigas histórias em que eu lia nos livros.

Parte 4:

Primeira vez que dormi tranquilamente desde que tudo isso aconteceu. Sonhei com a salvação, com um ato de bravura, comigo prestes a mudar as coisas.
Já vou direto para a base militar. Sento na unidade gigantesca 30-69. Os motores estão em propulsão. Decolagem perfeita!
Sinto a pressão quando cruzo a Ozonosfera. Vejo as bases paradisíacas, estão mais próximas do que eu pensava. Os cálculos militares foram minuciosos e perfeitos. Estou colidindo contra as colônias. Não posso conter o choro. Meu corpo todo explode no impacto, sinto-me evaporar.
Apesar de ter morrido eu sei que valeu a pena. Vendo uma estátua minha no centro da capital e as pessoas podendo viver normalmente de novo. Eu estive aqui para fazer a diferença.



De onde eu conto essa história? Do lado de dentro do espelho.

O Mar e a Jazida

Por : Eduardo Heldt Urban

On the rocks, by Sican

Feito de mar, minhas ondas quebram em ti
Feita de pedra, fica no lugar onde bati
Te modelo em formas que gosto de admirar
E tu ficas aí, imóvel, sexy sem ser vulgar

Te trago presentes do meu profundo oceano
Para em ti tocar e me mostrar um grande dano
Algo verde irradia de ti se não me engano
Não te amo mais, pois eu mesmo fui profano

Mas algo grave aconteceu, foi insano!
Roubaram-te de mim, foi um humano
Ele te quebrou com aquela tal de picareta
E te botou a bolos para dentro da maleta

Agora inundo a todos com minha fúria
Eu me sinto só, junto da minha lamúria
Eles te querem para fazer tal respalda
Sinto tua falta, minha querida esmeralda

Cheio.

Por : Eduardo Heldt Urban
Sad Clown by dzpal

Cheio de amor e cheio de fogo
Cheio da vida e de todo esse jogo

Cheio de nada e cheio de tudo
Cheio que fico até carrancudo

Cheio de noite e cheio de dia
Cheio o bastante, me dá agonia

Cheio de metas e cheio de meio
Cheio de mais e de saco cheio.

O guerreiro Kumgang

Por : Eduardo Heldt Urban
A estátua de Kumkang - Yuksa , um guerreiro famoso em Sukulam , uma caverna de pedra construída na era da dinastia Silla .


Eu hei de ser o guerreiro Kumgang
Farei dos pés e das mãos o meu caminho
Voando bem alto, lá no dojang
Ou lá em casa, em qualquer cantinho

Meus demônios internos eu irei matar
Nessa jornada não me encontro sozinho
Eu passo por fogo, água, terra e o ar
Junto de Confucio e de Buda um pouquinho

Firme como a montanha, a cabeça não baixa
Treinarei sem parar, construindo meu ninho
Refletindo a mim mesmo na faixa
E o céu e a terra no uniforme de linho

O eleito

Por : Eduardo Heldt Urban

O Sol é nosso ouro
A lua nossa prata
As terras nosso bronze
Essas são nossas medalhas

O atleta é iluminado
Ele luta, é nosso eleito
Para num dia quem sabe
Brilhar o mundo no peito

Eu só queria

Por : Eduardo Heldt Urban
The stars, por Andire

Eu só queria roubar o Mar
Para mergulhar nos meus sonhos
E para também vivenciar
Os desejos e sonhos dos outros

Eu só queria ser o dono do Sol
Para poder radiar toda alegria
E tirar a tristeza com um anzol
Através da rotina do dia-a-dia

Eu só queria visitar as estrelas
Num piscar de olhos, rápido assim
Para com elas aprender, quando vê-las
A iluminar essa escuridão dentro de mim


Viver a vida

Por : Eduardo Heldt Urban
Monstro do Pântano, fase Alan Moore.

As pessoas não sabem mais
do que se trata a simplicidade da vida
o verde, brisa e coisas tais
fazem certeza dela ser muito valida

Uma vez alguém me falou:
"A vida é triste, cinza e sem graça,
como você nunca notou?"
Eu tentei entender tal ameaça,

mas logo fui acariciado
por um leve vento e uma chuva de flores
e eu não quis ter continuado
as trevas acrescendo, pois vivo de amores.





Questão poética

Por : Eduardo Heldt Urban
arte por ModBlackmoon

Olá, o meu nome é poesia
A vocês quero deixar um recado
Eu não sou apreciada hoje em dia
tanto quanto era no passado

Isso me faz pensar na ironia
Da evolução do caminho cruzado
Será a humanidade de grande avaria?
Ou minha morte já é algo crivado?

Eve Zel - Analectos I

Por : Eduardo Heldt Urban
Foto por Alessandra Luz


A maior satisfação de ser um artista é de poder reviver suas vidas passadas.


O ignorante fala, o inteligente fala e faz enquanto o sábio já o fez em silêncio.


Hoje homens não mais cometem atos virtuosos, pois estão ocupados demais discutindo a virtude.


A bondade é una, a maldade plural.


O meio mais nobre dos perigos é a batalha.


A paciência, além de virtude, também é providência.


A arte, quando bem apreciada, apetece a alma.


A generosidade nos dá forças, o egoísmo apatia.

13:30

Por : Eduardo Heldt Urban
imagem de bernardosilveira

Triste realidade esta de agora, 
sinto a mente cheia
E só ontem me dei conta disto, 
era quase uma e meia:

"O mesmo horário que saio 
para trabalhar todo o dia
era o mesmo horário em que
brincava eu com alegria."


Divindade Sombria

Por : Eduardo Heldt Urban


Fui-me atrás de um sonho
A ti voltares e voltares
Se a ti trazeres a paixão
Tu, de fato me deixas a solidão
Como a formosa claridade do dia
Devasta-se, tempestuosa, como a divindade sombria
Ao calor dos teus braços, vejo-me diante de ti
Ao frio e nefasto só, vejo-me sem você aqui
Diga-me pelos céus, tamanha loucura de amar-te
Quanto a indesejada amargura de perder-te
Vagando sem rumo diante da arrogância
É nesse dia que aturo o amargo gosto da distância.

Seio teu

Por : Eduardo Heldt Urban
Foto por Alessandra Luz

Dos teus seios que eu amo
Que me virou já talismã
Tu deitada sobre o ramo;
Um cheiro doce de hortelã
Não faz isso que me gamo
Endoidecendo a mente sã

Eu te beijo, tu me beijas
Já pego no seio teu
O calor que tu me deixas
Tão assim no lábio meu
Arrancando tuas madeixas
No prazer do apogeu

Tua divina formosura,
Tua pele tão cheirosa
Desta angélica aventura,
Desta paixão polvorosa
O meu corpo se mistura
Com tua alma graciosa

Já deitada no meu braço
Sinto a tua pulsação
Com o meu dedo traço
Minha linda maldição
Dorme o seio que deu laço
No meu forte coração

Réquiem

Por : Eduardo Heldt Urban
arte por Xetobyte

Anuncio a todos: amanhã morrerei!
Minha tripa será dos colegas de profissão
Farão dela uma corda, onde o som for eu irei
Toquem com vontade, deem a mim expressão

Cantem os meus sonhos que castigavam
Ou quando voavam errantes por todo o céu
Estes mesmos ao meu peito incendiavam
Suspirando no alaúde, as notas do menestrel

Sobre o meu sangue e os meus restos
Escreveu na melodia de um guri
Tocando as cordas donde eu me manifesto
A canção mais linda que já ouvi

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