Infância chata

Tom wants to die by Nutty-Nutzis

Não levem o título ao pé da letra, minha infância não foi chata. Foi muito divertida... É só que... Eu era uma criança muito chata, levava tudo ao pé da letra, era muito sério, não gostava que zombassem de mim e, principalmente, pensava demais!
Eu era uma criança estranha.
Via sempre os mesmos desenhos no Cartoon Network e, por exemplo, quando passava Tom & Jerry eu gostaria de ver o Tom levando uma melhor (mesmo já sabendo todos os episódios de cor e com ciência que o Jerry ganharia o dia) divagava comigo mesmo: "Por que o Tom tem de sofrer tanto? Quem começou tudo isso foi o Jerry! Por que ele sempre leva a melhor se ele quem é o vilão da história?". Outro exemplo é enquanto via Papa-léguas e Coiote e pensava durante todo o episódio: "Por que o Coiote, ao invés de comprar todos esses produtos Acme, não mata a fome comprando comida?"
Dissertava comigo mesmo, divagando, por horas, jeitos alternativos de terminar aquilo tudo, sem que ninguém sofresse. Achava mais de mil alternativa em minutos. Não importa no quê. Filmes, desenhos, seriados, livros, histórias em quadrinho. Onde havia uma história, eu procurava um final melhor, que apetecesse a minha mente infantil e inocente.
  Eu achava muito injusto o que esses roteiristas insensíveis faziam, talvez seja por isso que hoje eu esteja aqui, tentando levar uma vida do mesmo jeito que eles levavam, através da escrita. Um reflexo da minha infância chata. Talvez para consertar tudo isso que eles faziam? Acho difícil, visando tudo o que escrevo ultimamente, sempre triste, com um fim não tão justo e, às vezes, injusto.
Eu acho que eu virei um deles e que, dessa vez, o aluno superou seus mestres.